
Lisboa, 11 mai 2021 (Lusa) – A vice-presidente da Comissão Europeia Vera Jourová frisou hoje que a inteligência artificial deve ser usada de forma a “servir” os jornalistas e não o contrário, respeitando e promovendo a liberdade e o pluralismo dos média.
Intervindo na abertura de uma conferência virtual sobre inteligência artificial (IA) e o futuro do jornalismo, a comissária responsável pelos Valores e Transparência no executivo comunitário defendeu a ideia de que “as tecnologias devem servir as pessoas e não o contrário”.
Vera Jourová apontou, nesse sentido, que “é exatamente” isso que deve ser feito com a IA e o jornalismo: usar as tecnologias de forma a apoiar os jornalistas no seu trabalho “de forma a respeitar e a promover a liberdade e o pluralismo dos ‘media'”.
A responsável lembrou que a União Europeia (UE) “está a tomar a liderança na frente regulamentar” quando, em abril passado, a Comissão propôs o primeiro enquadramento legal de sempre sobre a IA.
“As novas regras seguem uma abordagem com base no risco, protegendo a segurança e os direitos fundamentais dos cidadãos da UE”, explicou.
Entre as várias aplicações da IA para o jornalismo, a comissária destacou os programas de literacia, a identificação de falsificações, a análise de ameaças potenciais e o auxÃlio aos média e à s autoridades no desmascarar de campanhas de desinformação.
Na área do jornalismo, Vera Jourová recordou o plano de ação para a Democracia Europeia, apresentado pela Comissão em dezembro de 2020, que coloca os ‘media’ “onde devem estar”, isto é, “no centro da democracia”.
Procurando “ajudar o setor dos ‘media’ a aproveitar ao máximo as oportunidades oferecidas pela transformação digital” – o que só pode ser feito “com uma estreita cooperação com o próprio setor” -, o reforço da liberdade e o pluralismo é um “objetivo fundamental” do plano de ação, juntamente com “eleições livres e justas” e o “combate à desinformação”, apontou.
A vice-presidente da Comissão sublinhou também que é preciso “prestar especial atenção” à viabilidade económica deste setor, uma “crise que começou muito antes da pandemia, com a maior parte das receitas de publicidade a irem para as plataformas online”.
Por isso, o plano de ação para a Democracia Europeia, em conjunto com o plano de ação dos Média e Meios Audiovisuais, servem de “roteiro para a recuperação, transformação e resiliência” do setor, assinalou.
Este último, segundo Vera Jourová, inclui uma iniciativa que “juntará todas as oportunidades de financiamento relevantes e ações para o setor de notÃcias da comunicação social”.
Sob o programa Europa Criativa 2021-2027, os meios de comunicação da UE terão um “envelope de financiamento dedicado ao pluralismo dos ‘media'”, que irá “dar apoio à s parcerias jornalÃsticas na forma de subsÃdios”, disse.
Vera Jourová participou hoje na conferência de alto nÃvel “Inteligência Artificial (IA) e o Futuro do Jornalismo – A IA tomará posse do 4.º Poder?”, organizada pelo Ministério da Cultura e pela Presidência do Conselho de Ministros, no âmbito da presidência portuguesa do Conselho da UE.
JAYG // MDR
Lusa/Fim



