Cidade do México, 27 abr 2021 (Lusa) – Os pais dos 43 estudantes desaparecidos de Ayotzinapa anunciaram que, devido à ausência de progressos na investigação sobre o caso, vão efetuar buscas entre 19 e 23 de maio, no estado mexicano de Guerrero.
Em 26 de maio, data que marca 80 meses do desaparecimento dos jovens, vai realizar-se uma manifestação nas ruas de Iguala, naquele estado, e na Cidade do México, indicaram na segunda-feira os pais.
“A vontade polÃtica do atual Governo mexicano é clara, mas isso não é suficiente. Desde março até à data estamos na mesma situação e a investigação e a busca não apresentam avanços e não temos resultados”, disse o advogado dos pais, Vidulfo Rosales, durante uma manifestação decorrida na segunda-feira no centro da capital mexicana.
De acordo com dados oficiais, mais de 85 mil pessoas estão desaparecidas no paÃs e, portanto, mantêm a exigência de justiça para saber onde estão os 43 jovens desaparecidos em setembro de 2014.
Na versão oficial do Governo do antigo Presidente Enrique Peña Nieto, os 43 estudantes de Ayotzinapa foram presos em Iguala, na noite de 26 de setembro de 2014 pela polÃcia local corrupta que os entregou ao cartel Guerreros Unidos, que terá incinerado os jovens num depósito de lixo.
Este relato, conhecido como a “verdade histórica”, foi contestado por familiares e peritos independentes, para os quais os corpos não podiam ter sido queimados naquele local e apontaram para o envolvimento da polÃcia militar e federal no caso.
Em 2018, o atual Presidente mexicano, Andres Manuel Lopez Obrador, ordenou o reinÃcio das investigações e anunciou, em 26 de setembro último, seis anos após o desaparecimento, que existiam mandados de captura para a polÃcia militar e federal.
Em novembro, as autoridades detiveram o capitão José Martinez, primeiro membro do exército ligado ao desaparecimento dos jovens e que foi acusado de crime organizado.
EJ // EJ
Lusa/Fim



