
Istambul, 24 abr 2021 (Lusa) – O ministro dos Negócios Estrangeiros turco, Mevlut Cavusoglu, afirmou hoje que a Turquia “não tem nenhuma lição a receber de ninguém sobre a sua história”, numa reação ao reconhecimento por parte dos Estados Unidos do genocÃdio arménio.
O Presidente dos Estados Unidos da América (EUA), Joe Biden, descreveu hoje o massacre de 1,5 milhões de arménios pelo Império Otomano, em 1915, como “um genocÃdio”, num gesto que pode aumentar a tensão com a Turquia.
“As palavras não podem mudar ou reescrever a história”, prosseguiu o ministro turco, numa mensagem escrita na rede social Twitter.
“Não aceitamos lições de ninguém sobre a nossa história”, sublinhou o governante, que apontou que o “oportunismo polÃtico é a maior traição à paz e à justiça”.
E rematou: “Rejeitamos completamente esta declaração com base apenas no populismo”.
Logo depois, o ministério dos Negócios Estrangeiros turco publicou na sua página de Internet um comunicado a “rejeitar e denunciar de forma mais categórica” o comunicado de Biden, “feita sob pressão de cÃrculos arménios radicais e grupos anti-turcos”.
O comunicado “não tem base académica ou jurÃdica, nem é sustentado por qualquer prova. Os acontecimentos de 1915 não cumprem nenhuma das condições para utilizar o termo ‘genocÃdio’, definido de forma precisa pelo direito internacional”, refere o ministério dos Negócios Estrangeiros turco.
“Pedimos ao Presidente dos Estados Unidos que corrija este grave erro, que não serve nenhum fim, a não ser para satisfazer alguns cÃrculos polÃticos”, acrescenta.
Por sua vez, o Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan acusou “terceiros” de interferir nos assuntos da Turquia.
“Ninguém está a aproveitar o facto de que os debates – que deveriam ser realizados por historiadores – são politizados por terceiros e tornam-se um instrumento de interferência no nosso paÃs”, disse o Presidente turco numa mensagem ao patriarca arménio em Istambul.
Numa declaração para evocar o 106º aniversário do inÃcio daquele massacre, que ocorre hoje, Joe Biden tornou-se no primeiro Presidente dos EUA a reconhecer formalmente o que aconteceu como genocÃdio, algo que seus antecessores evitaram para não colocar em causa a aliança com Ancara.
O dia 24 de abril marca o inÃcio dos massacres de arménios pelo Império Otomano, em 1915.
A Turquia recusa o termo “genocÃdio” e rejeita qualquer sugestão de extermÃnio, citando massacres recÃprocos num cenário de guerra civil e fome que provocou centenas de milhares de mortes em ambos os lados.
Apesar de anos de pressão da comunidade arménia nos Estados Unidos, nenhum presidente norte-americano ousou irritar Ancara, um aliado histórico de Washington e membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO).
Enquanto a conversa entre os dois lÃderes foi anunciada, na capital da Arménia cerca de 10.000 pessoas marcharam para assinalar o massacre durante a I Guerra Mundial.
Três dezenas de paÃses, incluindo Portugal, e muitos historiadores classificam o massacre como um genocÃdio, termo rejeitado com firmeza pela Turquia.
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