
Lisboa, 17 abr 2021 (Lusa) – As autoridades brasileiras descartaram hoje qualquer ligação do advogado português João Loureiro ao caso de tráfico de cocaÃna num avião, decisão saudada pelo também empresário, em declarações à Lusa.
Fonte da polÃcia federal brasileira confirmou hoje que João Loureiro não é suspeito no processo que envolve a apreensão de um avião com 500 quilos de cocaÃna, uma decisão que o jornal Nascer do Sol também divulgou, através de uma entrevista a Elvis Secco, coordenador-geral da Repressão a Drogas da PolÃcia Federal.
“Posso adiantar que não há uma única prova que ligue João Loureiro à cocaÃna”, disse o responsável policial ao semanário.
Em fevereiro, João Loureiro seguia num avião que foi apreendido com droga ainda no Brasil e que tinha como destino Lisboa, tendo sido apreendidos 500 quilos de cocaÃna no seu interior.
“Não me surpreende essa notÃcia, que encaro com naturalidade”, afirmou à Lusa João Loureiro, que foi inquirido, numa fase inicial, pelas autoridades brasileiras. “Sempre disse que, sobre esse assunto, o futuro falaria melhor que qualquer outra coisa”, acrescentou.
Recordando que sempre “disse que tinha total confiança nas autoridades competentes brasileiras e nacionais”, com as quais afirma ter colaborado ativamente, João Loureiro salientou que ficou no Brasil “por vontade própria”, para “prestar tais declarações”.
Lamentando o “injustificado e injusto turbilhão especulativo e sensacionalista” em que diz ter sido envolvido, João Loureiro considera que a questão está resolvida no que lhe diz respeito.
“Para mim, o mais importante sempre foi que a minha famÃlia e amigos e todos os que verdadeiramente me conhecem terem sempre tido a certeza que era completamente alheio ao que se passou”, acrescentou, agradecendo “publicamente a todos os muitos que ao longo deste duro perÃodo manifestaram a sua solidariedade”.
Na segunda-feira, dia 13 de abril, a PolÃcia Federal (PF) do Brasil desarticulou um esquema de transporte de drogas em aeronaves privadas, numa operação denominada “Flight Level”, visando combater os crimes de tráfico internacional de drogas, organização criminosa e branqueamento de capitais.
Nesse sentido, foram cumpridos dois mandados de prisão preventiva, 20 mandados de busca e apreensão, bloqueio de contas bancárias de 29 pessoas, apreensão de 15 veÃculos, cinco imóveis e oito aeronaves, além da suspensão das atividades de seis empresas. A operação envolveu 90 agentes federais em cinco cidades brasileiras.
Na operação, as autoridades brasileiras detiveram Luiz Carlos da Rocha, conhecido como ‘Cabeça Branca’, considerado um dos maiores narcotraficantes da América Latina.
A PolÃcia Judiciária portuguesa e a polÃcia federal brasileira estavam alertadas, desde o inÃcio da pandemia, para a possibilidade de o tráfico de cocaÃna entre os dois paÃses recorrer a jatos particulares, revelou à Lusa fonte policial.
Segundo a mesma fonte, as polÃcias já se tinham apercebido que, com a diminuição de voos regulares entre os dois paÃses, o “modus operandi” de traficar cocaÃna entre o Brasil e Portugal se tinha alterado com os traficantes a utilizarem outros meios, nomeadamente, o recurso a jatos fretados a companhias privadas.
Exemplo disso foi a polémica apreensão, em fevereiro último, na cidade brasileira de Salvador, de 500 quilos de cocaÃna com destino a Portugal, escondidos num avião particular da empresa portuguesa OMNI Aviação e Tecnologia, do qual o antigo presidente do Boavista João Loureiro integrava a lista de passageiros.
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