
Praia, 07 abr 2021 (Lusa) – O Presidente de Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca, afirmou hoje que é preciso um reforço efetivo da fiscalização à s medidas de prevenção à transmissão da covid-19, e não apenas o seu anúncio, devido ao aumento de casos da doença.
“As autoridades competentes devem fiscalizar e fazer cumprir as regras que são estabelecidas, porque não vale a pena apenas fazer anúncios de medidas. É preciso que, anunciando as medidas, elas sejam efetivamente cumpridas. E para tanto deve haver fiscalização efetiva do cumprimento dessas regras”, afirmou o chefe de Estado.
Em declarações aos jornalistas na Praia, depois de receber a primeira dose da vacina contra a covid-19, o Presidente voltou a alertar, pela segunda vez no espaço de uma semana, para a necessidade de cumprimento das regras, tendo em conta o aumento de casos e o visÃvel relaxamento da população na aplicação de medidas de proteção à doença, como nas aglomerações e no uso obrigatório de máscara, precisamente quando o paÃs já cumpre uma semana de campanha eleitoral para as eleições legislativas de 18 de abril.
A taxa de incidência acumulada da covid-19 em Cabo Verde duplicou em apenas duas semanas, cifrando-se atualmente em 253 casos por 100 mil habitantes, segundo dados atualizados pela Direção Nacional de Saúde.
De acordo com o último balanço acumulado a 14 dias, de 22 de março a 04 de abril, as autoridades sanitárias de Cabo Verde reportaram 1.426 novos casos de covid-19, com uma média diária de 102 novos infetados, num total de 10.973 amostras analisadas nesse perÃodo, o que corresponde a uma taxa de positividade de 13%.
No perÃodo imediatamente anterior, de 08 a 21 de março, em 9.058 amostras processadas nos laboratórios de virologia do paÃs foram confirmados 720 novos casos de covid-19, equivalente a uma média diária de 51 infetados, com uma taxa de positividade de 8%.
O agravamento da situação, admitido pela Direção Nacional de Saúde, reflete-se na taxa de incidência acumulada, que passou de 128 para 253 casos por cada 100 mil habitantes nos últimos 14 dias.
“Nós estamos a ter nos últimos dias um aumento de casos, em especial na Praia, temos tido também no Sal, na Boa Vista e, portanto, eu reafirmo, reitero o meu apelo. É de que as entidades sanitárias, as autoridades, devem estar atentas ao evoluir da situação, sobretudo neste perÃodo que é de campanha eleitoral”, afirmou o Presidente da República.
Mostrando-se preocupado com as consequências dos aglomerados na campanha eleitoral, Jorge Carlos Fonseca insistiu na responsabilidade dos agentes polÃticos.
“É uma situação que seduz agentes polÃticos à s aglomerações aos comÃcios, à s arruadas. Tudo deve ser feito para evitar as aglomerações e fazer campanha eleitoral com meios que evitem as aglomerações. Todos devemos ser responsáveis, nada é mais importante que a vida e a saúde dos cabo-verdianos”, afirmou.
Dirigiu-se ainda aos mais jovens, recordando que “ninguém está isento” de apanhar a doença: “Que obedeçam à s regras, que evitem as aglomerações, as festas privadas, que não estejam, digamos, todos ao monte nas praias”.
Face ao evoluir da situação epidemiológica, as autoridades cabo-verdianas começaram na sexta-feira a reforçar a fiscalização ao cumprimento das medidas de prevenção à covid-19, como aglomerações nas praias ou festas privadas.
A decisão, tomada após reunião, em 01 de abril, do gabinete de crise criado há mais de um ano pelo Governo para lidar com a pandemia, vai no sentido do apelo do Presidente da República, Jorge Carlos Fonseca, de reforçar a fiscalização das medidas, sendo visÃvel um afrouxamento no cumprimento do distanciamento social ou do uso de máscara na via pública, obrigatório por lei.
De acordo com o ministro da Saúde, Arlindo do Rosário, o Governo decidiu “reforçar”, através das forças da PolÃcia Nacional e da Inspeção-Geral das Atividades Económicas (IGAE), a “fiscalização do cumprimento daquilo que está previsto” na atual situação de contingência — o segundo de três nÃveis previstos na lei que estabelece as bases da Proteção Civil em Cabo Verde -, e que para já não será alterada.
“Eu falo concretamente para evitarmos as aglomerações a nÃvel das praias balneares e também em relação à s campanhas eleitorais”, disse Arlindo do Rosário, considerando que é possÃvel, “cumprindo aquilo que está na Constituição, fazer […] campanha eleitoral sem comprometer ou agravar a situação sanitária”.
O Presidente da República já tinha pedido na quinta-feira mais fiscalização à s medidas de proteção à covid-19 no arquipélago, face ao crescente aumento de casos, sobretudo na Praia, admitindo a possibilidade de subida no nÃvel de alerta.
O paÃs registou na quarta-feira passada o recorde (desde o inÃcio da pandemia, em março do ano passado) de 191 novos casos de covid-19 num dia, ultrapassando os mil casos ativos, o que coincide com um perÃodo de visÃvel relaxamento de medidas de contenção da doença, nomeadamente, disse o chefe de Estado, aglomerações nas praias.
O arquipélago registava esta terça-feira 1.167 casos ativos de infeção — contra 397 em 01 de março – e somava 173 mortos por complicações associadas à doença, num total de 18.023 casos confirmados desde 19 de março de 2020, dos quais 16.670 já foram considerados recuperados.
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