
Pemba, Moçambique, 30 mar 2021 (Lusa) – Gafuro Amade não tem comida que chegue em casa para quando acolher a famÃlia em fuga dos ataques terroristas de Palma e que espera ver em breve em Pemba, no norte de Moçambique.
“Não tenho comida”, refere. “Se almoçar, jantar vai ser difÃcil” e vice-versa.
Na pequena casa de Mieze, arredores da capital provincial, onde vivem 12 pessoas, podem agora chegar mais 15.
Parte vai dormir “no quintal, com apoio de lonas”, refere, mas deixando o assunto para depois, porque para já quer saber se a famÃlia está viva e a caminho de Pemba em navios que estão a evacuar a zona e vão chegando à capital provincial.
Na sede da Cáritas há ‘kits’ compostos por bolachas e água à espera de indicações das autoridades para serem entregues a quem chegar, explica Betinha Ribeiro, membro da organização humanitária.
Segundo refere, a maioria das pessoas que até agora chegaram a Palma em embarcações, desde domingo, integravam os projetos de gás e aguarda-se a chegada da população que precisará de maior apoio, depois de passar dias sem comida, nem água.
O material já empilhado na sede da Cáritas dá para quase 2.000 pessoas, mostra Betinha Ribeiro.
Fonte da petrolÃfera Total disse à Lusa que um navio vai transportar cerca de mil pessoas, população que está refugiada em Afungi, junto ao recinto do investimento, vai ser transportada num navio para Pemba, dando prioridade à s pessoas mais debilitadas.
Na capital provincial as diferentes organizações humanitárias estão a mobilizar-se para acolher esta nova vaga de deslocados.
Gafuro Amade está desde domingo a caminho do porto de Pemba para saber de novidades, e promete não arredar pé, tal como fazem dezenas de outras pessoas que passam o dia ali à espera.
Francisco Jonas também não tem comida suficiente para a famÃlia que espera reencontrar, mais de 10 pessoas incontactáveis depois da fuga de Palma.
“Comer todos os dias? Com a comida que tenho? Isso depende de Deus”, refere, sem saber como reorganizar uma vida já sem recursos para ter farinha ou arroz.
“Ainda não tenho respostas, mas confio no Governo e no que vão organizar”, refere.
Alfan Cassamo explica que a covid-19 veio agravar a situação da provÃncia de Cabo Delgado.
A pandemia está a tirar comida da mesa porque “há menos emprego”, menos oportunidades numa terra onde já eram parcas e que apostava tudo na economia em redor da exploração de gás – que o ataque em Palma voltou a pôr em cheque.
“A comida fica cara, porque tens pouco dinheiro que te aguente durante mais tempo”, explica.
“Comida suficiente? Isso não posso garantir”, diz, mas uma coisa promete: partilhar o que tiver.
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