
Banguecoque, 30 mar 2021 (Lusa) – Três dos principais grupos étnicos armados em Myanmar (ex-Birmânia) fizeram hoje um ultimato à junta militar, ameaçando anular o seu acordo de cessar-fogo se as mortes de manifestantes continuarem no paÃs.
O Exército Arakan (AA), o Exército de Libertação Nacional de Taang e o Exército da Aliança Democrática Nacional de Mtanmar, que assinaram uma declaração conjunta, alertaram que, se o exército birmanês não parar com as ações violentas e não atender à s demandas da população, os grupos étnicos colaborarão com os dissidentes nos protestos da chamada “Revolução da Primavera”.
Se as forças de segurança “continuarem a matar civis, vamos colaborar com os manifestantes e retaliar”, referem na declaração conjunta.
“Estou muito feliz e grato aos nossos irmãos e irmãs (…) que mais uma vez mostraram uma liderança forte contra este regime brutal e ilegÃtimo em Myanmar”, disse Dr. Sasa, que atua como porta-voz do autodenominado “governo legÃtimo” formado por um grupo de deputados eleitos, numa mensagem na rede social Twitter.
Este grupo de parlamentares que compõe o Comité de Representantes da Assembleia da União (CRPH) tinha pedido à s etnias armadas do paÃs, há duas semanas, que “unissem forças” contra a junta militar.
O alerta dos grupos armados ocorre após o fim de semana mais sangrento no paÃs, com mais de 100 mortos, segundo estatÃsticas divulgadas hoje pela Associação de Assistência a Presos PolÃticos da Birmânia (AAPP).
A organização não-governamental (ONG) especificou que o número de mortos provavelmente é muito maior”, especialmente porque centenas de pessoas que foram detidas estão agora desaparecidas.
“É provável que a situação evolua para uma guerra civil total”, disse Debbie Stothard, da Federação Internacional para os Direitos Humanos (FIDH), à agência de notÃcias AFP.
Desde a independência de Myanmar em 1948, vários grupos étnicos têm estado em conflito com o Governo central por mais autonomia, acesso aos muitos recursos naturais do paÃs ou parte do lucrativo comércio de drogas.
Os militares birmaneses justificaram o golpe de Estado, ocorrido a 01 de fevereiro, com uma alegada fraude nas eleições de novembro passado, nas quais o partido da lÃder Aung San Suu Kyi venceu e revalidou o seu poder, com o aval de observadores internacionais.
CSR // ANP
Lusa/Fim



