
Lisboa, 29 mar 2021 (Lusa) – A exposição “Tudo o que eu quero — Artistas portuguesas de 1900 a 2020” vai reunir cerca de 200 obras produzidas por 40 mulheres, a partir de 01 de junho, na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, foi hoje anunciado.
Inicialmente programada para inaugurar a 25 de fevereiro em Bruxelas, no Palácio de Belas-Artes (Bozar), foi deslocada para Lisboa depois de um incêndio, no inÃcio do ano, ter inviabilizado a sua apresentação nesse espaço, no âmbito do Programa Cultural da Presidência Portuguesa do Conselho da União Europeia.
Entre 01 de junho e 23 agosto de 2021, a exposição vai apresentar obras de pintura, escultura, desenho, objeto, livro, instalação, filme e vÃdeo, produzidas por artistas como Maria Helena Vieira da Silva, Lourdes Castro, Paula Rego, Ana Vieira, Salette Tavares e Helena Almeida.
Joana Vasconcelos, Maria José Oliveira, Fernanda Fragateiro, Sónia Almeida e Grada Kilomba, entre outras, também estarão representadas na mostra, que vai do inÃcio do século XX até à atualidade.
Com curadoria de Helena de Freitas e de Bruno Marchand, a exposição resulta de uma iniciativa do Ministério da Cultura com produção executiva e projeto curatorial da Fundação Gulbenkian, incluÃda no Programa Cultural da Presidência Portuguesa do Conselho da União Europeia.
“Tudo o que eu quero — Artistas portuguesas de 1900 a 2020” terá como ponto de partida o icónico autorretrato de Aurélia de Souza, pintado em 1900, propondo uma reflexão sobre um contexto de criação que durante muitos séculos foi quase exclusivamente masculino.
Nas palavras dos curadores, citados num comunicado da Gulbenkian, “o conjunto de obras, aqui reunido, constitui um documento em si mesmo da luta das suas autoras pelo pleno direito à sua voz”.
O tÃtulo da exposição foi inspirado por “uma das figuras mais notáveis no campo da reimaginação do lugar das mulheres no espaço social, intelectual, sexual e amoroso dos últimos séculos: Lou Andreas-Salomé, assim situando o lugar das artistas selecionadas no espÃrito de subtileza, de afirmação e de poder”, segundo a curadoria.
Lou Andreas-Salomé (1861-1937) foi uma ensaÃsta, filósofa, poeta, romancista e psicanalista nascida na Rússia imperial, que viveu a maior parte da sua vida em vários paÃses da Europa, especialmente na Alemanha, onde veio a falecer.
As artistas estarão representadas na mostra com um conjunto de obras que, “mais do que uma mera sinalização de presenças e de ausências, possa oferecer ao público uma imagem mais ampla dos seus respetivos universos artÃsticos”, segundo os curadores.
Também citada pela organização, a ministra da Cultura, Graça Fonseca, destaca, a propósito da mostra, a importância de “aumentar a visibilidade das mulheres no setor cultural e criativo, uma das prioridades polÃticas da Presidência Portuguesa do Conselho da União Europeia, promovendo a representação igualitária das obras das mulheres em exposições, museus, galerias, teatros, festivais e concertos”.
“Esta é a única forma de sair dos papéis rÃgidos e confinados do género”, acrescenta a governante.
Por seu lado, a presidente da Gulbenkian, Isabel Mota, sublinha que, “além de contribuir para reparar algumas injustiças no contexto historiográfico nacional, esta exposição procura compreender o papel de destaque que as artistas portuguesas assumem na segunda metade do século XX, nomeadamente no plano internacional, muitas delas com uma longa ligação à Fundação, enquanto bolseiras em Portugal e em cidades como Paris, Londres ou Munique”.
Em 2022, “Tudo o que eu quero — Artistas portuguesas de 1900 a 2020” será apresentada no Centre de Création Contemporaine Olivier Debré, em Tours, integrada no programa geral da Temporada Cruzada Portugal-França.
Para acolher esta exposição agora em junho, a Gulbenkian teve de adiar a mostra “Histórias de uma Coleção. Arte Moderna e Contemporânea da Fundação Gulbenkian”, prevista para decorrer de 05 de março a 23 agosto 2021, na galeria principal da sede, adiada para o verão de 2022.
AG // TDI
Lusa/Fim



