
Praia, 26 mar 2021 (Lusa) – Mais de metade dos 4.200 profissionais de saúde de Cabo Verde já recebeu a primeira dose da vacina contra a covid-19, também já com as vacinas da AstraZeneca, disse à Lusa o diretor nacional de Saúde.
De acordo com Jorge Noel Barreto, até quarta-feira já estavam vacinados 52% dos profissionais de saúde do paÃs, entre o setor público e privado, num processo de vacinação que arrancou em todas as ilhas em 19 de março, inicialmente apenas com recurso à s 5.850 doses da vacina fornecidas pela Pfizer.
“Contamos até segunda ou terça-feira ter os profissionais de saúde vacinados”, disse Jorge Noel Barreto, admitindo que “alguns” desses trabalhadores do setor da saúde, identificados no plano nacional de vacinação contra a covid-19 como prioritários, optaram por não ser vacinados.
O diretor nacional acrescentou que o grupo prioritário seguinte no plano de vacinação, pessoas com mais de 60 anos, já pode inscrever-se através de uma linha própria, para começar a ser vacinado nos próximos dias.
“Ainda não está definido o calendário, mas depois de se inscreverem recebem uma mensagem sobre o dia, hora e local em que serão vacinados”, explicou, admitindo condicionalismos neste processo em função do total de pessoas a vacinar neste grupo em cada ilha.
Cabo Verde já registou 16.787 casos de covid-19 desde 19 de março de 2020, que provocaram 164 mortes por complicações associadas à doença. Do total de óbitos, 84% verificou-se na faixa acima dos 60 anos.
De acordo com Jorge Noel Barreto, o plano de vacinação em Cabo Verde foi reforçado desde quinta-feira com as vacinas já entregues pela AstraZeneca, depois de a Entidade Reguladora Independente da Saúde (ERIS) de Cabo Verde e a Direção Nacional de Saúde (DNS) terem recomendado o seu uso, com a confirmação da segurança das mesmas.
Cabo Verde recebeu 24.000 doses da vacina contra a covid-19 da AstraZeneca em 12 de março e 5.850 da Pfizer dois dias depois, com o plano de vacinação nacional a iniciar-se em 19 de março, assumindo o Governo a meta de vacinar 70% da população até final do ano.
As doses já recebidas em Cabo Verde inserem-se num total de 108 mil a fornecer pela AstraZeneca ao abrigo da Covax, iniciativa fundada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) que visa garantir uma vacinação equitativa contra o novo coronavÃrus.
“Em razão da eficácia comprovada da vacina Covidshield (Oxford/AstraZeneca) na prevenção da hospitalização e morte por covid-19, superando o risco raro de desenvolvimento de eventos tromboembólicos, ERIS e DNS recomendam prosseguir o Plano Nacional de Vacinação, uma vez que as evidências cientÃficas confirmam a segurança na utilização das vacinas em causa”, lê-se numa diretiva conjunta das duas instituições, de 19 de março.
Para suportar esta decisão, as duas entidades recordam no documento que a Agência Europeia de Medicamentos (EMA) iniciou uma revisão dos casos de eventos tromboembólicos notificados, tendo concluÃdo que “o benefÃcio” daquela vacina “continua a superar os riscos de efeitos indesejáveis da vacina” e que “não está associada a um aumento no risco de formação de coágulos sanguÃneos (eventos tromboembólicos) nas pessoas que receberam a vacina”.
Em 18 de março, um dia antes do inÃcio do plano de vacinação no arquipélago, foi feita uma cerimónia de antecipação, na Praia, com três médicas, duas enfermeiras e uma auxiliar do centro de saúde da Achada de Santo António a receberem a primeira dose da vacina.
“É um grande momento, que deve ser assinalado com muita confiança”, afirmou, na altura, o primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva.
A vacinação começou com os profissionais de saúde que trabalham na linha da frente do combate à pandemia, mas o plano de vacinação contra a covid-19 em Cabo Verde colocou nos grupos prioritários ainda os doentes crónicos, maiores de 60 anos, profissionais do turismo, professores, agentes da PolÃcia Nacional, Forças Armadas e elementos do Serviço Nacional de Proteção Civil e Bombeiros, estimando-se a necessidade de 267.293 doses da vacina.
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