
Lisboa, 18 mar 2021 (Lusa) – O Grão-Mestre da Maçonaria Regular Portuguesa, Armindo Azevedo, manifestou-se hoje contra as propostas parlamentares para que deputados e titulares de cargos públicos passem a ser obrigados a declarar se são maçons ou pertencem a outras organizações “discretas”.
Em comunicado enviado à Lusa, a Grande Loja Regular de Portugal (GLLP/GLRP) “apela ao bom senso das entidades que regem a nossa Nação, para que defendam os direitos e os princÃpios estabelecidos pela Constituição Portuguesa”.
Apela ainda “ao entendimento da profundidade das consequências éticas e morais da aprovação de uma Lei que obrigue um homem livre, para exercer uma função para a qual foi eleito, a ter de confessar obrigatoriamente as convicções filosóficas e espirituais que regem os princÃpios da sua vida”.
A proposta anunciada na terça-feira pelo PSD torna obrigatório que deputados e titulares de cargos públicos declarem, no seu registo de interesses, se pertencem a associações e organizações “discretas” como a Maçonaria e a Opus Dei.
A proposta do PSD foi feita numa reunião da comissão parlamentar de Transparência e Estatuto dos Deputados em que estava previsto o debate do diploma apresentado pelo PAN para incluir no regime do exercÃcio de funções dos titulares de cargos polÃticos “um campo de preenchimento facultativo” para indicarem se pertencem a esse tipo de organizações.
A proposta do PSD, apresentada pelo deputado André Coelho Lima, considera que deve ser obrigatório os deputados e titulares de cargos polÃticos declararem todas as associações a que pertencem, das associações de bairro a um clube desportivo.
O PS, através de Isabel Moreira, manifestou as reservas dos socialistas tanto à s propostas do PAN como dos sociais-democratas, afirmando que são propostas “desproporcionadas” e “excessivas”.
No comunicado enviado à Lusa, a GLLP/GLRP afirma ser a maior obediência maçónica no paÃs, com cerca de 3.300 maçons e três décadas de atividade, em que evitou “tomar posições públicas sobre assuntos relacionados com a atividade das instituições do Estado, fossem elas parte do poder Legislativo, Executivo ou Judicial”, mas que agora, “dada a gravidade dos factos”, decidiu tomar posição através do seu Grão-Mestre.
Ao longo da história da maçonaria, adianta, esta “tem regularmente lançadas sobre si insinuações e acusações, mais ou menos explÃcitas”, de que são exemplo “palavras proferidas pelo Dr. António Lobo Xavier — que, recorde-se, desempenha o cargo de Conselheiro de Estado”.
“Esses ataques têm como origem personalidades cujas funções e cargos exigiriam atitudes menos levianas, mais responsáveis e não atentatórias da honra e da dignidade alheias”, refere. Â
“Qualquer alegação de um ato ilÃcito deve ser investigada por parte das autoridades competentes. Mas devem igualmente ser sancionadas quer a calúnia sem provas, quer as ofensas sem razão. Mais ainda quando afetam a reputação de toda uma instituição”, adianta ao grão-mestre maçónico.
Falando hoje no programa Circulatura do Quadrado, na rádio TSF, Lobo Xavier afirmou que tem “clientes que dizem que são vÃtimas de extorsão por serem ameaçados, se não entregarem dinheiro ou assumirem determinados comportamentos, [que] são perseguidos por uma rede maçónica que vai da polÃtica à s magistraturas”.
“Eu não sei se é verdade. Tenho desconfianças, conheço a história da maçonaria, mas não sei quem eles são porque não se assumem”, disse.
Lobo Xavier disse ainda que Rui Rio, lÃder do PSD, está, com a lei sobre as os grupos “discretos”, a ter “comportamentos persecutórios associados a mitos”, e a querer atingir o PS e os seus “opositores internos no PSD que são, supostamente, segundo se diz, ligados à maçonaria”.
No comunicado hoje divulgado, o grão-mestre da maçonaria defende que esta “age constantemente no estrito cumprimento e respeito da Lei”.
“Os princÃpios da Maçonaria são a liberdade dos indivÃduos (instituições, raças, nações), a igualdade de direitos e obrigações dos Homens, a fraternidade entre todos os Homens e entre todas as nações. A Maçonaria respeita as opiniões polÃticas e crenças religiosas de todos, reconhecendo que todas as religiões e ideais polÃticos são igualmente respeitáveis. É, pois, natural a nossa vontade de que respeitem igualmente as nossas opções”, adianta Armindo Azevedo.
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