
Lisboa, 10 mar 2021 (Lusa)- As crianças portuguesas desenvolveram competências digitais com o ensino ‘online’ durante o primeiro confinamento devido à pandemia de covid-19, mas grande parte passou tempo excessivo no computador e sentiu-se mais sobrecarregada, concluiu um estudo da Universidade Católica hoje divulgado.
As crianças e adolescentes desenvolveram as competências digitais durante o perÃodo de confinamento, devido ao ensino a distância, de acordo com os resultados para Portugal do estudo “A vida digital das crianças em tempos de covid-19”, coordenado pelo Centro de Investigação Comum da Comissão Europeia.
Com base em inquéritos realizados a 504 famÃlias portuguesas com crianças e adolescentes entre os 10 e os 18 anos e entrevistas a 10 famÃlias com crianças entre os seis e os 12 anos de idade, as investigadoras PatrÃcia Dias e Rita Brito concluÃram que 57,3% dos inquiridos passaram a usar com mais frequência o computador e 67,4% desenvolveram mais competências.
Mais de metade reportou sinais de utilização excessiva das tecnologias digitais, com uma utilização média diária de sete horas, das quais cinco eram dedicadas às atividades escolares.
Segundo as investigadoras, os resultados apontam para um maior vÃcio pelo computador, que os pais terão de controlar no perÃodo pós-confinamento, e maior exposição aos riscos caracterÃsticos da Internet.
Metade das crianças e adolescentes inquiridos sentiu-se também mais sobrecarregada com o ensino à distância do que no regime presencial, revelando cansaço das tecnologias digitais.
São os mais velhos que revelam mais cansaço e que preferem o ensino presencial.
Apesar de revelarem bons Ãndices de bem-estar e apreciarem poder dormir mais e melhor, as crianças e adolescentes inquiridos apontaram um maior nervosismo e ansiedade, associados ao visionamento de notÃcias relacionadas com a pandemia, cansaço com o ensino online, e as saudades da famÃlia e amigos como principais dificuldades.
Enquanto os pais em teletrabalho (45,2%) fizeram uma mediação mais permissiva e recorreram mais à s tecnologias digitais para entreter os filhos, os pais mais disponÃveis para acompanhar os filhos tiveram oportunidade de, com eles, utilizarem o computador.
A investigação concluiu ainda que 65% das famÃlias tinha ligação à Internet por banda larga e 97,2% contam com pelo menos um computador.
Contudo, durante o confinamento, 65% dos inquiridos revelaram que tiveram de adquirir dispositivos digitais para o teletrabalho e para o ensino à distância, nomeadamente computadores fixos ou portáteis (69,2%).
O Estudo “A Vida Digital das Crianças em Tempos de Covid-19: Práticas Digitais, Segurança e Bem-Estar de Crianças entre os 6 e os 18 anos”, coordenado pelo Centro de Investigação Comum da Comissão Europeia, incluiu 14 paÃses europeus.
A investigação visou compreender o papel que as tecnologias digitais desempenharam no quotidiano das famÃlias com crianças e adolescentes no primeiro perÃodo de confinamento obrigatório devido à covid-19, em março e abril de 2020.
FCC // JMR
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