
 Luanda, 25 fev 2021 (Lusa) — Angola está a perder anualmente 576 milhões de euros, por não valorizar as 6,3 milhões de toneladas de lixo produzidas por ano em todo o paÃs, metade das quais só em Luanda, informou hoje o Governo angolano.
O ministro da Economia e Planeamento de Angola, Sérgio Santos, anunciou hoje aos jornalistas no final da reunião da Comissão Económica do Conselho de Ministros, orientada pelo Presidente angolano, João Lourenço, que foi aprovado um projeto de gestão do aterro sanitário dos Mulenvos, em Luanda, que vai se transformar num Centro de Valorização de ResÃduos Sólidos, com parceria público-privada.
Um estudo governamental indica que Angola possui por ano 6,3 milhões de toneladas de lixo anualmente, das quais, 3,3 são geradas em Luanda, capital do paÃs.
Sérgio Santos disse que vai ser lançado, brevemente, um concurso, que vai atrair investidores nacionais ou estrangeiros, “para transformar o que é hoje um depósito de lixo num centro de valorização e resÃduos sólidos”.
“O horizonte temporal de implementação destas medidas é até junho de 2021 e vai reduzir uma parte das despesas que hoje o Estado tem. Ainda assim, o Estado continuará a ter os gastos a seu nÃvel, mas vamos dinamizar aqui a valorização dos resÃduos”, referiu o ministro.
O governante angolano anunciou uma linha de financiamento para apoiar a cadeia de valor de valorização e resÃduos, que vai aproveitar 45% para matérias-primas, 35% para fertilizantes e os 20% restantes para geração de energia.
“E, obviamente, vender a energia à rede e o conjunto de iniciativas legais e normativas para organizar este segmento que vai se tornar um negócio. Segundo os nossos estudos, estamos a falar de um mercado de cerca de 460 mil milhões de kwanzas (576 milhões de euros), é o mesmo que dizer que, por não valorizarmos os nossos resÃduos sólidos, o paÃs perde qualquer coisa como metade de um bilião [mil milhões] de euros por ano”, frisou.
O governo de Luanda anunciou, a 12 de fevereiro, o lançamento de novos concursos públicos para concessão do serviço público de limpeza, após suspender contratos com operadoras do lixo por dÃvida de 246 mil milhões de kwanzas (308 milhões de euros).
Em finais de dezembro passado, as autoridades locais rescindiram contratos com seis operadoras de limpeza e recolha de resÃduos em Luanda, sobretudo por incapacidade de liquidar a dÃvida em kwanzas, indexada ao dólar.Â
Como consequência, a capital angolana, com mais de oito milhões de habitantes, foi invadida pelo lixo que se acumula nos bairros, ruas e mercados, levando os munÃcipes a temer pelo agravamento dos problemas de saúde.Â
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