
Lisboa, 23 fev 2021 (Lusa) – O CDS-PP vai voltar a votar favoravelmente a renovação do estado de emergência devido à covid-19 e quer que o desconfinamento seja preparado e calendarizado a três meses, podendo começar pelas escolas, cabeleireiros e barbeiros.
Em declarações aos jornalistas na sede do CDS-PP, em Lisboa, no final de uma audiência com o Presidente da República por videoconferência, o lÃder democrata-cristão afirmou que a situação pandémica “ainda é bastante sensÃvel” e “continuam a ser necessárias medidas restritivas”, pelo que o partido vai votar “favoravelmente o estado de emergência”.
Francisco Rodrigues dos Santos defendeu que o Governo “deve começar a planear um desconfinamento à semelhança daquilo que fez o Governo inglês, que planeou entre 08 de março e 21 de junho todas as regras e a evolução das mesmas durante este perÃodo”.
“O CDS exige do Governo um calendário transparente e previsÃvel sobre a evolução das regras de saúde pública nos próximos três meses, para que se dê inÃcio a uma desconfinamento progressivo e gradual nas áreas da educação, nos contactos sociais, nos negócios e nas atividades, nos eventos e também nas viagens”, salientou o presidente do CDS-PP, argumentando que esta calendarização “é fundamental para dar segurança, tranquilidade, esperança e previsibilidade à s famÃlias, aos empresários e aos trabalhadores”.
O lÃder centrista pediu também ao Governo a “definição de indicadores objetivos que permitam o desconfinamento”, como o Ãndice de transmissão, o número de infetados ou as camas ocupadas em hospitais, defendendo que “o sucesso” da reabertura “depende essencialmente daquilo que o Governo seja capaz de fazer e de preparar para controlar a pandemia”, e alertando que “não é possÃvel que o Governo cometa constantemente os mesmos erros”.
“Não é aceitável que o paÃs ande de confinamento em confinamento porque o Governo é incapaz de planear o desconfinamento com rigor e com clareza, emitindo sinais claros e não contraditórios”, frisou, advogando também “um plano de testagem massificado” e um reforço das “equipas de rastreadores de saúde pública”.
Francisco Rodrigues dos Santos defendeu que “é possÃvel começar a preparar o desconfinamento de alguns setores, como por exemplo o dos cabeleireiros e dos barbeiros”, mas também das escolas, “pelos alunos até aos 12 anos”, e insistiu no cumprimento da atribuição de um computador a cada aluno.
Antecipando que a economia “continuará a atravessar um momento de grande dificuldade”, o lÃder centrista apelou à disponibilização de mais verbas, pedindo também “mais celeridade e menos burocracia na atribuição dos apoios à s empresas”.
O presidente do CDS-PP disse que outros dos assuntos abordados com o Presidente da República foi o da eutanásia, diploma que foi enviado para o Tribunal Constitucional, tendo Francisco Rodrigues dos Santos insistido que “pode estar em curso uma tentativa de condicionamento ou intimidação” deste tribunal mas mostrando-se convicto de que os juÃzos do Palácio Ratton “não se deixarão pressionar ou condicionar” por comentários ou notÃcias.
O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, ouve hoje a IL, Chega, PEV, PAN, CDS-PP e PCP sobre a renovação do estado de emergência, em audiências por videoconferência, a partir das 14:30.
Na quarta-feira será a vez do BE, PSD e PS e, um dia depois, o parlamento reúne-se para debater e aprovar a provável renovação do estado de emergência, que terá efeitos entre 02 e 16 de março e será a 12.ª declaração na atual conjuntura de pandemia de covid-19.
O atual perÃodo termina à s 23:59 da próxima segunda-feira, 01 de março.
Em Portugal, já morreram mais de 16 mil doentes com covid-19 e foram contabilizados até agora mais de 799 mil casos de infeção com o novo coronavÃrus que provoca esta doença, de acordo com a Direção-Geral da Saúde.
FM (SF/IEL)
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