
Praia, 15 fev 2021 (Lusa) — A peça de teatro “Segundo SacrifÃcio — Um exemplo para João Vário” vai retratar a obra do cientista e professor cabo-verdiano, numa parceria entre Cabo Verde, com o grupo Fladu Flá, e de Portugal, através da companhia UMColetivoTeatro.
Mais de uma década após a sua morte, a obra do escritor, neurocientista, cientista e professor cabo-verdiano João Vário chega ao teatro, com encenação de atores cabo-verdianos e portugueses.
Em conferência de imprensa, na cidade da Praia, o diretor das Artes e Indústrias Criativas do Ministério da Cultura, Adilson Gomes, disse que a ideia da peça é trazer autores cabo-verdianos para o teatro.
João Vário, principal pseudónimo de João Manuel Varela, que também assinou as suas obras como Timóteo Tio Tiofe e Geuzim Té Didial, foi um escritor, neurocientista, cientista e professor cabo-verdiano, que nasceu em 07 de junho de 1937 e morreu em 07 de setembro de 2007.
Sublinhando que o espetáculo vai ser todo construÃdo em Cabo Verde, Adilson Gomes referiu ainda que se abre um “precedente interessante”, que é começar a ter colaboração entre Cabo Verde e outros paÃses de lÃngua portuguesa.
O encenador Herlaudson Duarte disse que a peça vai tratar várias questões que têm a ver com a humanidade e que interpelam a todos, como as desigualdades, desrespeito, racismo, colonização e descolonização.Â
“Esse espetáculo representa de alguma forma muitos temas que são muito abrangentes e que, de alguma forma, somos obrigados a pensar”, descreveu o encenador, indicando ainda que a peça vai analisar uma série de “memórias coletivas mortas”, mas com alguma vibração no presente.
A diretora artÃstica da companhia portuguesa UMColetivoTeatro, Cátia Tirrinca, avançou que a escolha da encenação recaiu sobre o escritor cabo-verdiano João Vário porque acreditam que a sua escrita tem a capacidade singular de colocar a todos como irmãos ao analisar problemas comuns.Â
“Penso que o texto tem a capacidade de não centralizar esses problemas em cidadãos particulares, mas sim transversalmente sendo que são códigos emocionais de recusa, de frustrações, de lugares de periferia, à s vezes até emocional, que, em vez de serem reconvocadas para a solidão, são reconvocadas para uma irmandade”, explicou a diretora da companhia com sede em Elvas.Â
Cátia Tirrinca acrescentou que o grupo português tem tido sempre a preocupação de fazer um “processo colaborativo”, chamando outros cabo-verdianos no paÃs e em outros lugares para fazerem parte do espetáculo.Â
Com sonoplastia do músico e produtor N’Du Carlos, as estilistas Mizé Varela e Ghislene Alves e os dançarinos Mano Preto e Heleno Barbosa, a peça tem estreia marcada para 25 de fevereiro, à s 20:00 locais (21:00 em Lisboa), no Auditório Nacional Jorge Barbosa, na Praia.Â
O espetáculo vai ser gravado e posteriormente transmitido na Televisão de Cabo Verde (TCV) e assim chegar a todas as ilhas do paÃs, onde não foi possÃvel a sua apresentação presencial, por causa das restrições impostas pela covid-19 e por limitações financeiras.
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