
Roma, 11 fev 2021 (Lusa) — A autoridade sanitária da localidade italiana de La Spezia, norte do paÃs, incluiu no protocolo de vacinação contra a covid-19 os homossexuais, que caracterizou como indivÃduos de risco e prioritários, gerando polémica e crÃticas a nÃvel nacional.
A polémica surgiu quando Ferrucio Sansa, candidato apoiado pelo Partido Democrata (PD, centro-esquerda) e pelo Movimento 5 Estrelas (M5S) à s eleições regionais de 2020 na Ligúria, condenou as autoridades sanitárias locais por terem incluÃdo os homossexuais na lista de “pessoas com condutas de risco, ao lado de toxicodependentes e de outras relacionadas com a prostituição”.
O formulário de inscrição foi distribuÃdo pelos cidadãos no quadro da campanha nacional de vacinação contra o novo coronavÃrus, para se poderem gerir as reservas de vacinas destinadas aos grupos prioritários.
As denúncias ocorreram imediatamente e a senadora Monica Cirinnà , promotora da lei que reconhece a união civil entre homossexuais desde 2016, afirmou ser “inaceitável” que uma referência à homossexualidade apareça entre os comportamentos de risco como forma de acesso a qualquer serviço de saúde.Â
“É uma grave violação da dignidade pessoal, sinal de uma cultura ainda muito difundida e que tende a estigmatizar a homossexualidade”, frisou Cirinnà .
O diretor da entidade de saúde local, Paolo Cavagnaro, já pediu desculpas.
“É um erro claro, reconhecemo-lo, que também estamos a tentar encontrar uma explicação, pelo que só podemos pedir desculpa”, afirmou.
O caso ganhou expressão hoje quando foi descoberto que o formulário havia sido retirado diretamente do portal do Ministério da Saúde italiano em outubro passado.Â
O presidente da região da Ligúria, o conservador Giovanni Toti, descreveu a situação como “incrÃvel e vergonhosa” e acusou a oposição de querer criar confusão sem antes verificar os factos.Â
“Quanto à incrÃvel e vergonhosa inclusão de homossexuais entre os ‘sujeitos como fatores de risco’ para as prioridades de vacinação, descobriu-se que, após uma primeira investigação interna, o erro tem origem numa cópia das diretrizes ministeriais. Obviamente, isso multiplica o erro, embora não o elimine”, escreveu Toti na sua página na rede social Facebook.
“Tudo isto dá-me razão quanto à total incapacidade, ignorância, má-fé e torpeza por parte da oposição na Ligúria, que não para de me acusar sem averiguar ou investigar antes o que se passou”, acrescentou Toti, numa referência a Sansa, que foi quem detetou o erro.
Em comunicado, o Ministério da Saúde explicou que “apenas o comportamento determina o risco e não a orientação sexual das pessoas” e reconheceu que se tratava de “um documento antigo usado para doações de sangue”.
“Os documentos ministeriais de formulários antigos e desatualizados serão imediatamente corrigidos”, acrescentou o Governo italiano.
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