
Redação, 08 fev 2021 (Lusa) — A DBRS considera que o turismo português não vai recuperar totalmente este ano, dada a “particularmente crÃtica” situação sanitária e o prolongamento das restrições, mas o choque será temporário e a atratividade do paÃs irá manter-se no pós-pandemia.
Numa nota de análise sobre o setor do turismo em Portugal, hoje divulgada, a agência de notação financeira DBRS Morningstar antecipa “mais um ano difÃcil” para a atividade, dada a gravidade da crise pandémica global (que no paÃs se encontra numa fase “particularmente crÃtica”), o atraso na disponibilização de vacinas na Europa e o prolongamento das restrições à s viagens.
“Dada a importância do setor turÃstico para Portugal, isto irá provavelmente atrasar a plena recuperação económica do paÃs”, considera.
Ainda assim, a DBRS sustenta que “o choque da covid-19 será temporário e não deverá resultar em mudanças estruturais no setor turÃstico português”: “Embora esta crise vá ter, inevitavelmente, graves consequências para muitos trabalhadores e empresas, particularmente os mais expostos à atividade, a procura turÃstica em Portugal deverá regressar aos nÃveis pré-pandemia”, lê-se na nota de análise.
Segundo a agência, “as caraterÃsticas que, antes da crise, tornaram Portugal atrativo para os visitantes a nÃvel global irão manter-se durante muito tempo após a pandemia”.
Na sua análise ao setor turÃstico português, a DBRS recorda que, entre 2010 e 2012, Portugal recebeu em média 14 milhões de não residentes por ano, tendo este número atingido os 27 milhões de pessoas em 2019.
Esta quase duplicação das chegadas de turistas em menos de uma década permitiu que as receitas do setor de alojamento turÃstico praticamente triplicassem, de forma que, no final da década, o turismo e as indústrias com ele relacionadas respondiam por 17% do Produto Interno Bruto (PIB), 19% do emprego e 20% das exportações totais.
Em 2020, impactado pela pandemia, Portugal registou 10,6 milhões de turistas e, embora o turismo doméstico tenha permitido alguma recuperação nos meses de verão, a falta de visitantes estrangeiros contribuiu significativamente para a contração económica de 7,6% registada nesse ano.
Já este ano, a situação acabaria por agravar-se com a nova vaga da pandemia, quer em Portugal — que se tornou “num dos paÃses com piores resultados da Europa” — quer nos paÃses tradicionalmente emissores de turistas para Portugal, como o Reino Unido, Alemanha, Espanha, França, Holanda e Brasil.
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