
Redação, 05 fev 2021 (Lusa) – O pico do rácio da dÃvida pública em Portugal face ao Produto Interno Bruto (PIB) foi em 2020, e a polÃtica monetária do Banco Central Europeu (BCE) dá “conforto relativo a médio prazo”, disseram dois analistas da Fitch à Lusa.
“Em primeiro lugar, para Portugal esperamos que o rácio da dÃvida [pública face ao PIB] tenha atingido o pico em 2020”, disse o analista da agência de ‘rating’ Alex Muscatelli à Lusa.
De acordo com o analista, apesar de um “grande nÃvel nominal da dÃvida, que vai aumentar por mais dois ou três anos, o rácio começará a descer no próximo ano”, algo que leva a uma “tendência decrescente”, tal como aconteceu nos três anos anteriores aos da pandemia.
De acordo com o Banco de Portugal, a dÃvida pública portuguesa atingiu os 133,7% do PIB em 2020, sendo que a Fitch apontava para 136,2% e o Governo para 134,8%. A Fitch estima um rácio de 133,5% em 2021.
A também analista da Fitch Kit Yeung destacou que “Portugal ainda tem termos de financiamento muito favoráveis, e isto acontece sobretudo pelo grande programa de compras do BCE”, mas também “pelo baixo custo das taxas de juro e uma maturidade da dÃvida relativamente longa”.
Alex Muscatelli referiu que “o muito baixo nÃvel das taxas de juro dá um apoio chave, mas este apoio não irá embora de um dia para o outro”.
O analista acrescentou que a maturidade média da dÃvida, “de mais de sete anos e meio”, significa que “mesmo que houvesse um aumento das taxas de juro marginais isso levaria tempo a traduzir-se no aumento do custo médio da dÃvida”.
“Isso é uma fonte de conforto relativo a médio prazo relativamente ao fardo da dÃvida e dos juros”, vincou, não prevendo “uma quebra ou um ‘precipÃcio’ na procura”, também devido à extensão dos programas do BCE para 2022 e 2023.
Kit Yeung referiu-se também à emissão de dÃvida pública a 30 anos realizada na quarta-feira pelo IGCP, considerando que “salienta que ainda há uma confiança bastante boa nos fundamentos que os investidores conferem a Portugal, apesar da deterioração e dos números orçamentais que vimos como resultado da pandemia”.
“Claro que há a necessidade de manter uma trajetória da dÃvida estável, e penso que o Governo está muito comprometido em levar a dÃvida pública para baixo depois da pandemia de covid-19”, destacou a analista.
Quanto a ‘ratings’, Alex Muscatelli referiu que “a perspetiva ‘estável’ em si diz que é mais provável que o ‘rating’ fique na mesma do que mude”.
“Acho que é justo dizer que a dinâmica [da dÃvida] pode ter interrompido uma dinâmica positiva do ‘rating’, mas ao mesmo tempo não vemos preocupações imediatas acerca da sustentabilidade da dÃvida pública”, referiu o analista.
Em novembro, a Fitch manteve o ‘rating’ da dÃvida de longo prazo de Portugal em BBB, nÃvel de investimento, e com perspetiva estável.
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