
Lisboa, 26 jan 2021 (Lusa) – Os pedidos de ajuda à Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC) para compra de medicamentos, alimentação ou pagamentos de serviços aumentaram cerca de 30% com a pandemia, avançou hoje à Lusa o presidente da instituição.
Em 2019, a LPCC disponibilizou cerca 1,3 milhões de euros para apoiar doentes e as suas famÃlias, “o que em situações normais já era aflitivo, neste momento numa percentagem muito grosseira, temos aumentos de 30% a nÃvel nacional, em média, de pedidos de ajuda”, adiantou VÃtor Rodrigues.
“Tem sido um aumento substancial, sejam naquilo que nós chamamos de ajuda de primeira linha, isto é, casos sociais detetados nos hospitais, nomeadamente nos IPO, e numa ajuda de segunda linha que são casos detetados na comunidade”, explicou o médico.
O presidente do Núcleo Regional Norte da LPCC, VÃtor Veloso, também assinalou à Lusa o aumento “exponencial” dos pedidos devido à situação económico-financeira do paÃs estar a agravar-se.
“Também a parte social dia-a-dia é cada vez mais gritante sob o ponto de vista negativo e a Liga felizmente ainda tem uma almofada financeira suficiente para ocorrer a múltiplos casos”, disse VÃtor Veloso.
Relativamente ao Núcleo Regional do Norte, o oncologista disse que estão “a atender todos os casos” de doentes carenciados que os procuram.
“Os serviços estão a funcionar, nós temos dado centenas de milhares de euros a quem tenha justificação económica para os terem”, disse VÃtor Veloso, adiantando que também estão a distribuir cabazes alimentares.
VÃtor Veloso frisou que quem tiver dificuldades é bem acolhido na Liga: “nós despenderemos tudo o que for necessário para a pessoa ser minimamente bem alimentada”.
Ambos os responsáveis também referiram um aumento da procura das consultas de apoio psicológico: “nota-se perfeitamente que os doentes necessitam dessa ajuda, nomeadamente em termos de linha cancro e das consultas de psico-oncologia”, disse o presidente nacional da LPCC.
“Não é quantitativamente tão grande porque também estamos a notar algum desânimo, algum baixar de braços do doente, o que é terrÃvel”, comentou VÃtor Rodrigues.
Segundo o presidente da Liga, com a situação de pandemia, além da doença, “as pessoas vão-se sentido um bocadinho abandonadas e vão ficando cada vez mais em baixo e, à s vezes, já desleixam um bocado essa procura, o que é assustador”.
Por outro lado, adiantou VÃtor Rodrigues, alguns estão a fazer tratamento e desistem ou, pelo menos, pedem para adiar o tratamento devido ao receio de irem aos hospitais.
“As pessoas passam por um perÃodo de desespero porque não estão a conseguir muitas delas recorrer aos serviços de saúde, mas por outro lado também há um baixar de braços e isso é terrÃvel”, lamentou VÃtor Rodrigues.
A pandemia de covid-19 provocou, pelo menos, 2.140.687 mortos resultantes de mais de 99,6 milhões de casos de infeção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.
Em Portugal, morreram 10.469 pessoas dos 636.190 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.
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