
Leiria, 20 jan 2021 (Lusa) — A delegação distrital de Leiria da Associação Nacional de Freguesias (ANAFRE) considerou hoje urgente o encerramento das escolas devido à pandemia de covid-19 e salientou que “mais vale perder-se um mês de aulas” do que vidas.
“A Distrital de Leiria da ANAFRE considera urgente o encerramento dos estabelecimentos escolares. Ainda que se diga que as crianças não têm sido, felizmente, das mais afetadas pela pandemia, não deixam de poder ser transmissores do vÃrus, propagando o contágio aos familiares de mais idade”, refere a associação numa nota de imprensa enviada à agência Lusa.
A ANAFRE/Leiria adianta que “a movimentação diária de adultos que tem de acontecer por causa dos estudantes se terem de deslocar à s escolas inviabiliza um confinamento eficaz”, frisando que “mais vale perder-se um mês de aulas, que pode ser recuperado reorganizando o calendário escolar”, do que “centenas ou milhares de vidas”, que “são irrecuperáveis”.
Para a delegação, nesta fase da pandemia, “em que Portugal está, à escala planetária, com uma das situações mais crÃticas no que toca a novos infetados e a número de óbitos por dia, importa fazer um confinamento real”.
“Ficar em casa não pode continuar a ser uma regra apenas no papel, sendo relegada para segundo plano pelo elevadÃssimo número de exceções”, nota a associação.
Além das escolas, a delegação defende a interdição de “outros espaços públicos, nomeadamente os cemitérios”.
O presidente da ANAFRE/Leiria, Pedro Pimpão, afirmou à Lusa que “os especialistas apontam para um confinamento muito mais rigoroso do que está a existir e a questão das escolas assume um relevo maior”.
“O que defendemos, nos vários nÃveis de ensino, é que deve ser dada, neste momento, primazia ao ensino à distância”, disse Pedro Pimpão, também presidente da Junta de Freguesia de Pombal, assinalando que “os representantes de professores e do pessoal não docente já se pronunciaram, igualmente, a favor do fecho dos estabelecimentos escolares”.
O distrito de Leiria, com 111 freguesias, registou desde o inÃcio da pandemia, em março de 2020, 14.471 casos do novo coronavÃrus, mantendo-se 4.068 ativos, de acordo com o último boletim da Comissão Distrital de Proteção Civil, divulgado à s 00:04 de hoje.
No mesmo perÃodo, recuperam da doença 10.056 pessoas, registando-se ainda 347 óbitos.
Em Portugal, morreram 9.246 pessoas dos 566.958 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.
O primeiro-ministro, António Costa, disse na terça-feira na Assembleia da República que não hesitará em fechar estabelecimentos de ensino se verificar que a variante inglesa do novo coronavÃrus, mais contagiosa, se tornou dominante.
A declaração surgiu menos de 24 horas depois de ter anunciado novas medidas de contenção da pandemia, sem, no entanto, alterar a decisão de manter as escolas abertas e com ensino presencial.
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