
Bissau, 18 jan 2021 (Lusa) – O Presidente da Guiné-Bissau, Umaro Sissoco Embaló considerou hoje surpreendente que, volvidos tantos anos desde a independência, só agora é que existe uma visita oficial do chefe de Estado de Cabo Verde, apesar de serem dois paÃses irmãos.
“Como sabem é a primeira visita oficial de um Presidente da República irmã de Cabo Verde”, notou o Presidente guineense, na sessão de boas-vindas ao seu homólogo cabo-verdiano, Jorge Carlos Fonseca, que hoje iniciou uma visita oficial de três dias à Guiné-Bissau.
“Por mais surpreendente que possa parecer, é a primeira vez que um chefe de Estado de Cabo Verde visita oficialmente a Guiné-Bissau. Os outros vieram à Guiné-Bissau, mas em contextos diferentes, nas cimeiras, tomada de posse e quando digo isso também é recÃproco, nenhum Presidente da Guiné-Bissau efetuou uma visita oficial à República irmã de Cabo Verde”, declarou Embaló.
O lÃder guineense disse ter-se empenhando pessoalmente, enquanto primeiro-ministro, em elevar o nÃvel das relações diplomáticas entre os dois paÃses, e que as suas diligências já estão a dar resultados com a abertura da embaixada de Cabo Verde em Bissau e a passagem do consulado da Guiné-Bissau para embaixada na cidade da Praia.
Para Umaro Sissoco Embaló não fazia sentido que os dois paÃses não cooperassem nestes nÃveis tendo em conta, frisou, “laços de consanguinidade” que unem os dois povos.
“A minha esposa é de origem cabo-verdiana”, declarou Embaló para reforçar os laços que unem os dois povos.
O Presidente guineense prometeu efetuar uma visita oficial a Cabo Verde, antes das eleições legislativas, marcadas por Jorge Carlos Fonseca, para 18 de abril.
O presidente cabo-verdiano disse, por sua vez, que está em Bissau à convite do “irmão Presidente Umaro Sissoco Embaló” como forma de assinalar “um ponto de partida, uma nova largada nas relações entre Cabo Verde e Guiné-Bissau”.
Pela “história, cultura, consanguinidade, cumplicidades imensas” entre os dois paÃses, por ainda serem paÃses vizinhos e presentes em organizações regionais e internacionais, Jorge Carlos Fonseca afirmou que “não fazia sentido” que não tivessem relações a nÃvel polÃtico e diplomático “fortes e próximas”.
“É verdade que não são se tratam de relações dos anos 70, é uma relação diferente, mas é uma relação próxima de dois paÃses que se respeitam, dois paÃses irmãos, dois paÃses amigos que podem cooperar com benefÃcios mútuos que se constituem em democracia e em estado de direito, portanto é nessa base, nesse contexto que eu estou aqui”, sublinhou Jorge Carlos Fonseca.
O lÃder cabo-verdiano destacou, contudo, que as novas bases das relações devem ser possÃveis sem olhar para quem estiver no poder nos dois paÃses.
“Vamos cooperar, independentemente das conjunturas polÃticas, independentemente de quem é o Presidente, o primeiro-ministro, ou o partido que está no poder, isso não é o mais importante para que Cabo Verde e Guiné-Bissau estejam juntos”, notou Jorge Carlos Fonseca.
MB // PJA
Lusa/Fim



