
Porto, 08 jan 2021 (Lusa) — O ministro do Ambiente e da Ação Climática disse hoje “estranhar” que, na sequência do anúncio do encerramento da refinaria da Galp em Matosinhos, ainda não tenha havido uma reunião entre a administração da empresa e os sindicatos.
“Confesso que não é uma boa notÃcia, e a minha fonte [de informação] são os sindicatos, que ainda não tenha havido uma reunião formal entre o Conselho de Administração [da Galp] e as estruturas sindicais”, afirmou Matos Fernandes, no final de uma reunião com os representantes dos trabalhadores, no Porto.
A Galp vai concentrar as suas operações de refinação e desenvolvimentos futuros no complexo de Sines e descontinuar a refinação em Matosinhos este ano.
Esta decisão, anunciada a 21 de dezembro de 2020, põe em causa 500 postos de trabalho diretos e 1.000 indiretos.
A 30 de dezembro, e numa reunião pública do executivo municipal de Matosinhos, o responsável pela refinaria, José Silva, garantiu que a decisão de encerrar “está tomada e fechada”.
Sobre os postos de trabalho em causa, Matos Fernandes referiu ser uma “evidência” que com o fecho da refinaria esses vão ser “perdidos”, mas garantiu um “fortÃssimo empenho do Governo” em criar novos negócios, nomeadamente ligados à s energias renováveis, para absorver essa mesma mão-de-obra.
Contudo, salientou, esses trabalhadores têm de ser “requalificados e formados”, algo assegurado e previsto pelo fundo para a transição justa.
Em Portugal, já foram criados nove mil empregos lÃquidos relacionados com este setor, acrescentou.
O ministro admitiu que este “tipo de fenómenos”, referindo-se ao fecho deste tipo de instalações, vai acontecendo em Portugal e na Europa no âmbito do caminho traçado para a descarbonização.
“Há um caminho para a descarbonização e Portugal tem como compromisso ter cada vez menos emissões carbónicas”, vincou.
Matos Fernandes frisou que ser neutro em carbono “é bom para a economia” porque cria emprego e estimula o investimento, sobretudo em energias renováveis.
E, a tÃtulo de exemplo, o titular da pasta do Ambiente reforçou que os projetos ligados à s energias renováveis “não fazem perder empregos”, antes pelo contrário.
Os trabalhadores da refinaria têm prevista uma concentração para dia 12 de janeiro, com saÃda do complexo industrial até à Câmara de Matosinhos, para protestar contra a decisão de encerramento.
O Estado é um dos acionistas da Galp, com uma participação de 7%, através da Parpública.
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