
Maputo, 16 dez 2020 (Lusa) – O Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, anunciou hoje que não há “outra opção” senão lançar ações contra a Junta Militar da Renamo, dissidência do principal partido da oposição, acusada de assassinar civis e elementos das autoridades no centro do paÃs.
O anúncio foi feito cerca de dois meses depois de anunciar tréguas e apelar ao diálogo – após cerca de 30 mortes nos ataques, desde agosto de 2019 -, mas sem resultados.
“Depois de muito termos apelado ao diálogo, este grupo continua a atacar pessoas, viaturas e infraestruturas”, destacou.
“Nada nos resta agora [alternativa], outra opção não temos senão desencadear operações rigorosas contra o inimigo e é o que está a acontecer neste momento”, referiu, durante a informação sobre o estado da Nação prestada hoje no parlamento.
“Penso que sabem porque vocês vivem nas provÃncias “, acrescentou, dirigindo-se aos deputados, aludindo aos contactos que os eleitos mantêm com as regiões, mas sem dar mais detalhes.
Filipe Nyusi disse que há canais que continuam abertos para chegar à paz, desde que tal não signifique “chantagem contra o povo que celebrou um acordo de paz” com a Resistência Nacional Moçambicana (Renamo).
“Não há espaço para alguém reclamar, usando armas”, acrescentou.
O chefe de Estado aludia à s queixas de Mariano Nhongo, lÃder dos dissidentes, que disse que as condições de desarmamento de guerrilheiros no acordo de paz celebrado em agosto de 2019, entre Nyusi e o lÃder da Renamo, Ossufo Momade, não segue os princÃpios traçados por Afonso Dhlakama.
Perante o parlamento, o chefe de Estado recordou vários pormenores das negociações que manteve com Afonso Dhlakama, lÃder da Renamo falecido em maio de 2018, bem como o acompanhamento de outras figuras, para reiterar que não há outras condições senão as que estão acordadas.
Nyusi garantiu que está a ser seguido o guião “combinado” com Dhlakama e continuado com Ossufo Momade.
“Precisamos de ter essa atenção para não obstruir o problema, o processo tem de continuar”, sublinhou.
Segundo o Presidente moçambicano, há 5.221 guerrilheiros da Renamo a desmobilizar, dos quais 1.490 já foram desarmados e receberam apoios para reintegração na sociedade (cerca de 28%).
Foram apreendidas 192 armas diversas, algumas granadas e 4.139 munições de diferentes calibres.
“O processo continua sem sobressaltos”, abrangendo alguns elementos “que conscientemente abandonam a Junta Militar da Renamo”.
A intervenção de Filipe Nyusi foi a sexta informação sobre o estado da Nação prestada perante o parlamento, a primeira do segundo mandato, iniciado em janeiro.
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