MOÇAMBIQUE/ATAQUES: PR ENALTECE RESPOSTA DAS FORÇAS GOVERNAMENTAIS EM ATAQUE PRÓXIMO AOS MEGAPROJETOS DE GÁS

Maputo, 10 dez 2020 (Lusa) – O Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, enalteceu hoje a resposta das Forças de Defesa e Segurança face a um ataque, na segunda-feira, de rebeldes armados próximo dos megaprojetos de gás no norte de Moçambique.

“Os inimigos tentaram, há dias, aproximar-se a Afungi [local onde está a ser erguida a zona industrial de processamento de gás], mas graças a estes jovens [das Forças de Defesa e Segurança, não tiveram sucessos”, declarou o chefe de Estado moçambicano, durante uma gala de distinção de jovens inovadores na província de Sofala, centro de Moçambique.

O ataque de rebeldes ocorreu na aldeia de Mute, a menos de 25 quilómetros da área onde está a ser construída a zona industrial de processamento de gás natural da Área 1 da bacia do Rovuma, o maior investimento privado em África, da ordem dos 20 mil milhões de euros.

O ataque teve resposta das forças moçambicanas com o apoio de helicópteros, o que permitiu manter controlo da povoação.

“Graças ao sacrifício destes jovens patriotas tem sido possível manter o país a funcionar e a garantir que outros jovens estudem”, frisou o chefe de Estado moçambicano.

Tal como em situações anteriores, a proximidade dos confrontos paralisou equipas de vários empreiteiros do recinto de construção do projeto de gás, que, no entanto, regressaram hoje à atividade, segundo fontes locais em Palma, vila costeira, sede de distrito, adjacente ao megaprojeto.

Uma fonte oficial da francesa Total, que lidera o projeto, disse hoje à Lusa que a petrolífera está “a acompanhar de perto a situação em Cabo Delgado”, mantendo contactos permanentes com as autoridades moçambicanas.

“A segurança da força de trabalho e das atividades do projeto Mozambique LNG é a nossa prioridade absoluta”, disse fonte oficial da multinacional.

A violência armada em Cabo Delgado, norte de Moçambique, está a provocar uma crise humanitária com cerca de duas mil mortes e 560 mil pessoas deslocadas, sem habitação, nem alimentos, concentrando-se sobretudo na capital provincial, Pemba.

A província está desde há três anos sob ataque de insurgentes e algumas das incursões passaram a ser reivindicadas pelo grupo ‘jihadista’ Estado Islâmico desde 2019.

EYAC (LFO) // JH

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