
Washington, 09 dez 2020 (Lusa) — Documentação relacionada com as vacinas contra a covid-19 da Pfizer e da BioNTech foi hoje pirateadas num ataque cibernético contra a Agência Europeia do Medicamento (AEM), anunciou a farmacêutica norte-americana Pfizer.
“É importante referir que nem o sistema da BioNTech nem o da Pfizer foram violados nesse incidente e não temos conhecimento de dados pessoais que tenham sido pirateados”, lê-se num comunicado.
“Estamos a aguardar mais informações sobre a investigação do AEM e iremos reagir da maneira apropriada, de acordo com a legislação europeia. Dadas as considerações crÃticas de saúde pública e a importância da transparência, continuamos a fornecer evidências claras sobre todos os aspetos do desenvolvimento de vacinas e do processo regulatório”, lê-se no documento.
Hoje, em Haia, a AEM denunciou que foi objeto de um “ciberataque” e anunciou a abertura de uma investigação, em colaboração com a polÃcia holandesa.
“A AEM foi objeto de um ciberataque. A agência abriu imediatamente um inquérito completo, em estreita colaboração com a polÃcia”, declarou num comunicado a agência europeia, com sede em Amesterdão desde 2019, após o anúncio da saÃda do Reino Unido da União Europeia (UE).
A agência não avançou pormenores sobre se o incidente afetou os testes, em curso, para dar autorização de comercialização das vacinas para o novo coronavÃrus desenvolvidas pelas farmacêuticas Pfizer, BioNTech e Moderna.Â
Na breve nota, a AEM escusou-se a adiantar informações adicionais enquanto estiver em curso a investigação.Â
A autorização condicional da vacina Pfizer/BionTech está prevista o mais tardar para 29 deste mês, enquanto em relação à da Moderna deverá ser anunciada a 12 de janeiro de 2021.
A agência está também a analisar os desenvolvimentos da vacina da Universidade de Oxford, da AstraZeneca e da Johnson & Johnson.
No comunicado, a AEM não adiantou quando ocorreu o ataque.
A 02 deste mês, em Lyon, a Interpol emitiu um alerta global aos seus 194 paÃses membros, incluindo Portugal, alertando-os para se prepararem para os ataques das redes de crime organizado que em breve vão atuar nas vacinas contra a covid-19.
O “aviso laranja” da Interpol (Organização Internacional de PolÃcia Criminal), descreve possÃveis atividades criminosas como falsificação, roubo e publicidade ilegal sobre as futuras vacinas contra a covid-19 e contra a gripe, comportamentos criminosos que já foram detetados durante o perÃodo pandémico com outros produtos.
O aviso também abrange exemplos criminosos nos quais as pessoas que os cometem anunciam, vendem e administram vacinas falsas.
Com uma série de vacinas contra a covid-19 a serem brevemente aprovadas e com distribuição a nÃvel global, é essencial os paÃses garantirem a segurança da cadeia de abastecimento e identificar os ‘sites’ ilÃcitos que vendem produtos falsificados, tal como já aconteceu com máscaras e álcool gel.
Uma boa coordenação entre os órgãos de polÃcia criminal e as diversas entidades reguladoras de saúde terá, segundo a Interpol, um papel vital para garantir a segurança das pessoas e o bem-estar das comunidades neste perÃodo de pandemia.
Além dos perigos de solicitar produtos potencialmente fatais, uma análise da Unidade de Crimes Cibernéticos da Interpol revelou que há cerca de três mil ‘sites’ associados a farmácias ‘online’ sob suspeita de vender medicamentos ilÃcitos e dispositivos médicos e que 1.700 continham ameaças cibernéticas, como vÃrus informáticos.
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