
Loures, Lisboa, 28 nov 2020 (Lusa) — Na zona residencial do Infantado, no concelho de Loures, o ‘take-away’ e as vendas ‘online’ têm sido a ’tábua de salvação’ para muitos comerciantes, que veem desta forma minimizados os impactos negativos da pandemia da covid-19.
Nesta ‘minicidade’ com muitos prédios de habitação, no distrito de Lisboa, vislumbram-se ao longo de grandes avenidas restaurantes, cafés, mercearias, lojas de roupa, imobiliárias, um centro comercial e até uma ‘sex-shop’.
Numa altura em que o comércio e a restauração vivem uma situação dramática, devido à covid-19, alguns comerciantes da urbanização do Infantado ouvidos pela agência Lusa referem que a fidelização de vários clientes e a implementação de serviços de ‘take-away’ têm sido fundamentais para minimizar as quebras de receita e aguentar os negócios.
É disso exemplo a pizzaria Divina Pizza, que continua a ter filas à porta, sobretudo às sextas-feiras, como conta a chefe de sala Beatriz Simões.
“Nós não nos podemos queixar muito. Temos tido muitos clientes fiéis a virem cá almoçar. Também temos tido muitos ‘take-away’, o que é muito bom e raro nestes tempos de pandemia”, afirma, sorridente.
Beatriz Simões refere que o impacto mais negativo está a ser ao fim de semana, devido às restrições impostas pelo estado de emergência.
“Nós tÃnhamos muitos almoços [ao fim de semana] e filas à porta. Mas não temos a casa vazia”, diz.
Uns metros mais à frente, a situação já é um pouco mais complicada para os proprietários da Hamburgueria Criativa, um restaurante de hambúrgueres que abriu há quatro anos e se destaca pelas combinações de ingredientes.
“Criámos um menu do dia para ser mais apelativo e vamos tentando reinventar e criar novas ideias de modo a tentar trazer mais clientes”, explica Isaura Santos.
A aposta no serviço de ‘take-away’ foi outra das mudanças introduzidas pelos proprietários deste restaurante, aproveitando o facto de existirem mais moradores em regime de teletrabalho.
“Eu acho que as pessoas, uma vez que estão em casa, também aproveitam para fazer a própria comida. O que pode acontecer é aumentar os ‘take-away’ porque, se já não saem para vir comer, se calhar pedem para poder comer em casa”, aponta.
Isaura Santos alerta, contudo, para as dificuldades que as pequenas empresas têm para aderir à s grandes plataformas de entregas (o serviço ‘delivery’), considerando serem necessários apoios.
“O ‘delivery’ torna-se mais difÃcil porque existem empresas no mercado que fazem esse trabalho, mas a percentagem que eles querem é demasiadamente elevada, o que para as estruturas pequenas é quase impossÃvel aderir”, ressalva.
E se para a restauração uma das ‘saÃdas’ está a ser o ‘take-away’, para algumas lojas a alternativa de subsistência estão a ser as vendas ‘online’, como é o caso da loja de roupa Muounti.
“O que nós notamos é que não temos tantos clientes presenciais, mas vendemos mais ‘online’. As vendas ‘online’ funcionam bem e temos conseguido fazer vÃdeos, fotos. Os clientes têm aderido facilmente e os artigos vão-se vendendo”, conta a lojista Tânia Silva.
No entanto, o otimismo de alguns comerciantes contrasta com o pessimismo do presidente da Associação Empresarial de Comércio e Serviços dos concelhos de Loures e Odivelas, Alcindo Almeida.
“O comércio está todo paralisado. Nós temos uma quebra de mais de 50% na restauração e 40% no outro comércio”, relata à Lusa, à porta da funerária que gere, no centro da cidade de Loures.
Alcindo Almeida sublinha que a generalidade dos comerciantes “está desesperada” e que nos últimos tempos cerca de 25% foi obrigado a fechar portas.
“A Câmara tem-nos ajudado em algumas coisas, como o programa do ‘take-away’, a isenção de taxas, mas é insuficiente para aquilo de que o comércio precisa”, alerta, defendendo mais apoios por parte do Governo.
Em declarações à Lusa, o presidente da Câmara Municipal de Loures, Bernardino Soares (CDU), reconhece a dificuldade vivida por alguns comerciantes, sobretudo do setor da restauração, mas ressalva que a autarquia tem ajudado como pode.
“Nós temos a noção de que este problema só se resolve com medidas nacionais, mas não nos excluÃmos do apoio que à nossa escala podemos dar para que o comércio e as empresas locais possam resistir a estes próximos meses e manter-se como agente forte”, afirma o autarca.
Bernardino Soares sublinha que, para apoiar o comércio local, a autarquia implementou um conjunto de medidas como a isenção do pagamento das taxas de ocupação da via pública, que permite alargar as esplanadas, e a criação de um programa de apoio ao serviço de ‘take-away’, que vigorará nos fins de semana e feriados em que existam limitações à circulação.
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