
Londres, 10 nov 2020 (Lusa) – O Governo britânico anunciou hoje a expulsão do Reino Unido de dois diplomatas bielorrussos em retaliação contra uma medida semelhante tomada contra dois diplomatas britânicos na segunda-feira pela Bielorrússia.
O embaixador da Bielorrússia em Londres, Maxim Yermalovich, foi convocado a comparecer no ministério dos Negócios Estrangeiros esta tarde e informado da decisão, que o Governo considerou “proporcional e apropriada”.Â
“Enviámos uma mensagem clara hoje ao regime de [Alexander] Lukashenko de que a expulsão injustificada de diplomatas britânicos tem consequências. O Reino Unido continuará a responsabilizar as autoridades bielorrussas pela fraude eleitoral em agosto e pelo uso contÃnuo da violência para reprimir o povo bielorrusso”, disse o ministro britânico, Dominic Raab.
A estação televisiva estatal ONT revelou que os dois diplomatas britânicos expulsos são o adido militar, Timothy Wight-Boycott, e a vice-embaixadora britânica, Lisa Thumwood, que já terão deixado a Bielorrússia.
De acordo com autoridades policiais bielorrussas, estes diplomatas “coligiram informações sobre a situação polÃtica na Bielorrússia e sobre os protestos”, referindo-se a manifestações contra o regime do Presidente Alexander Lukashenko.
O Reino Unido tinha renovado na semana passada um apelo a novas eleições presidenciais na Bielorrússia, na sequência de um relatório da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) que denuncia as “provas avassaladoras que demonstram que as eleições presidenciais de 09 de agosto foram falsificadas”Â
A reeleição do chefe de Estado Alexander Lukashenko, de 66 anos e no poder desde 1994, tem sido motivo de protestos reúnem semanalmente dezenas de milhares de pessoas.
Em setembro, o Reino Unido já tinha decretado sanções económicas contra o Presidente bielorrusso, Alexander Lukashenko, o filho e membros do regime devido à repressão contra manifestantes naquele paÃs.Â
De acordo com a organização não-governamental (ONG) de direitos humanos Viasna, a polÃcia fez 1.048 detenções no domingo, o maior número desde agosto, quando uma brutal repressão policial estava a todo o vapor após a contestada eleição presidencial que opôs Lukashenko e Svetlana Tikhanovskaya.
As intervenções policiais contra os manifestantes, após uma trégua no final do verão, também aumentaram nas últimas semanas, enquanto a mobilização das ruas, ainda que importante, parece estar em declÃnio.
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