
Banguecoque, 15 out 2020 (Lusa) — Centenas de manifestantes estão a juntar-se no centro de Banguecoque, desafiando um decreto hoje adotado que instaurou o estado de emergência para proibir reuniões de mais de cinco pessoas e dispersar uma manifestação contra o Governo e a monarquia.
“Libertem os nossos amigos”, gritam os manifestantes ativistas, já que pelo menos quatro lÃderes de um protesto iniciado na quarta-feira, para exigir a renúncia do Governo e reformas da Constituição e da monarquia, foram detidos na manhã de hoje.
O Governo da Tailândia decretou hoje de manhã o estado de emergência na capital, proibindo reuniões com mais de cinco pessoas, o que permitiu dispersar a manifestação pacÃfica que cercava a sede do executivo.
A polÃcia, que tinha garantido que apenas as reuniões polÃticas seriam proibidas, informou, numa conferência de imprensa realizada ao meio-dia local (06:00 em Lisboa), que deteve 22 manifestantes, dos quais pelo menos quatro eram lÃderes dos protestos.
Em resposta à s detenções, um dos grupos que organizou os protestos convocou uma nova manifestação para esta tarde, no centro da zona comercial de Banguecoque, para onde já foram destacados cerca de 2.000 polÃcias e vários controlos de segurança.
“Estou a correr um risco pela minha segurança, mas quero estar aqui. A multidão vai proteger-me”, disse Khamin, um estudante de 20 anos à agência de notÃcias francesa AFP.
As autoridades endureceram o tom contra o movimento pró-democracia que tem organizado vários protestos nos últimos meses.
“Não permitiremos que se reúnam, seria uma violação do decreto de emergência”, advertiu o porta-voz da polÃcia, Yingyos Thepjumnong.
Na quarta-feira, dezenas de milhares de manifestantes pró-democracia saÃram à s ruas, no centro histórico de Banguecoque, para pedir a renúncia do Governo e reformas que limitem o poder dos militares e da monarquia, esta última uma questão altamente controversa no paÃs.
O protesto, que coincidiu com o aniversário da revolução estudantil de 1973, foi pacÃfico, mas registou um gesto de rebelião sem precedentes quando os manifestantes se aproximaram da comitiva de carros onde viajava a rainha Suthida e o prÃncipe herdeiro Dipangkorn.
A principal reivindicação dos protestos é a renúncia do Governo, liderado por Prayut Chan-ocha, mas os manifestantes exigem também uma nova Constituição, já que a atual foi elaborada pela antiga junta militar (2014-2019), e a redução da influência do exército na polÃtica.
A exigência mais polémica é a reforma da monarquia, assunto tabu até há pouco tempo devido ao grande respeito que a instituição inspirou e à lei da lesa-majestade, que prevê penas de até 15 anos de prisão para quem criticar a coroa.
O rei Vajiralongkorn, que passa grande parte do seu tempo na Alemanha, chegou à Tailândia no último fim de semana para participar em cerimónias religiosas e no aniversário da morte do seu pai, Bhumibol Adulyadej, falecido em 13 de outubro de 2016.
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