
Minsk, Bielorrússia, 11 out 2020 (Lusa) — Várias dezenas de manifestantes foram hoje detidos em Minsk, capital da Bielorrússia, no inÃcio de uma mais uma marcha semanal de protesto contra a reeleição, considerada fraudulenta, do Presidente Alexander Lukashenko.
As imagens transmitidas pelos meios de comunicação independentes, tut.by, mostram a polÃcia de choque e homens encapuzados, à paisana, a correr para a zona central de uma das avenidas principais da capital bielorrussa, e a prender, algumas vezes de forma brutal, os manifestantes, presentes em grande número.
De acordo com a ONG Viasna, ao todo foram presas 39 pessoas. Contudo, a manifestação semanal começou e reuniu pelo menos 10.000 pessoas, de acordo com um jornalista da agência francesa de notÃcias AFP.
No sábado, o controverso chefe de Estado surpreendeu, ao reunir-se com vários opositores presos, com quem falou na prisão dos serviços especiais (KGB) a fim de discutir as alterações constitucionais que está a planear, segundo a presidência bielorrussa.
O canal de Telegramas NEXTA Live, que coordena parcialmente o protesto e tem dois milhões de assinantes – num paÃs de 9,5 milhões de habitantes – apelou aos manifestantes para se reunirem em torno desta prisão e do Ministério do Interior, para que “cada prisioneiro polÃtico ouça” o povo.
Centenas de manifestantes, lÃderes de movimentos polÃticos, sindicatos e jornalistas foram detidos desde o inÃcio de agosto por terem participado ou organizado protestos.
Hoje, também foram presos cerca de dez jornalistas, incluindo representantes dos meios de comunicação russos.
O movimento de protesto sem precedentes, desencadeado por suspeitas de fraude maciça durante as eleições presidenciais de 09 de agosto, reúne todos os domingos dezenas de milhares de pessoas.
Em resposta, as autoridades estão a destacar um grande número de forças antimotim, veÃculos blindados e canhões de água para Minsk. Estão também a restringir o acesso à internet móvel e a reduzir os transportes públicos, para dificultar a mobilização.
“Não importa quantas pessoas ponham na prisão, ainda vamos sair porque os lÃderes são eles, ela e todos nós”, disse à AFP o empresário de 32 anos Alexander Starovoitov, que se prepara para se manifestar.
As principais figuras da oposição estão na prisão ou no exÃlio, como a candidata da oposição nas eleições presidenciais, Svetlana Tikhanovskaya.
Esta semana, vários paÃses europeus, incluindo o Reino Unido, a Estónia e a Letónia, chamaram os seus embaixadores em Minsk.
O Comité OlÃmpico Internacional (COI) disse estar “muito preocupado” com a discriminação de atletas, por causa das suas opiniões polÃticas.
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