
Chimoio, Moçambique, 17 set 2020 (Lusa) – Dois ataques armados contra autocarros de passageiros fizeram hoje sete feridos, três dos quais graves em distritos de Sofala, junto à Estrada Nacional 1 (EN1), principal ligação do sul e norte de Moçambique, disseram à Lusa testemunhas e autoridades.
No primeiro ataque, dois autocarros das transportadoras Nagi Investiment e City Link foram “metralhados” num perfil lateral por um grupo armado no início da manhã, cerca das 07:45 locais (06:45 em Lisboa), próximo da ponte sobre o rio Pungue, na zona limítrofe entre os distritos de Nhamatanda e Gorongosa.
“Tínhamos passado uma povoação com gente a vender carvão, quando ouvimos disparos. Um tiro acertou numa mulher que estava ao meu lado e todos nos agachámos, preocupados”, contou à Lusa, Helena da Fraisa, uma sobrevivente que viajava no autocarro da Nagi.
No ataque, contou, sete pessoas ficaram feridas, três das quais com gravidade, tendo sido socorridas primeiro para o Hospital Distrital da Gorongosa, e depois transferidas para o Hospital Provincial de Chimoio (HPC).
“Os autocarros vinham quase juntos desde a Beira. Já a 40 quilómetros para a Gorongosa fomos atacados e nós, que estávamos à frente, sofremos mais. Tem passageiros que foram atingidos por balas e outros por estilhaços de vidros”, contou à Lusa Lucas Xavier, outro sobrevivente.
Os dois autocarros tinham partido da cidade da Beira (Sofala) com destino à cidade de Quelimane (Zambézia).
Em declarações à Lusa, Nilma Issa, diretora clínica do HPC, confirmou a entrada de três vítimas de ferimentos por projéteis de armas, acrescentando que uma continua a carecer de maiores cuidados.
“Houve entrada de três pacientes – dois homens e uma mulher – e estão estáveis. Mas há um que está mais grave porque tem uma ferida abdominal e os cirurgiões ainda estão a decidir sobre o paciente”, aclarou Nilma Issa.
No segundo ataque, um outro autocarro de passageiros, que seguia da Beira (centro) para Maputo (sul) foi emboscado cerca das 10:00 locais por um grupo armado no troço Save-Muxúnguè, sem causar vítimas.
A polícia de Sofala, que confirmou os dois ataques, garantiu que, após o envio de um contingente das Forças de Defesa e Segurança (FDS), foi reposta a circulação rodoviária naqueles dois troços da EN1, com um histórico de ataques e emboscadas a viaturas no centro de Moçambique.
“Tendo em conta esta situação a Polícia da República de Moçambique em Sofala desdobra-se em diligências no terreno com vista a neutralizar e responsabilizar devidamente os autores destes dois ataques”, precisou Dércio Chacate, porta-voz da polícia em Sofala.
Os ataques surgem na sequência de outros em estradas e povoações das províncias de Manica e Sofala, por onde deambulam guerrilheiros dissidentes da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), liderados por Mariano Nhongo, da autoproclamada Junta Militar da Renamo.
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