
Pequim, 09 set 2020 (Lusa) – A nova versão do filme Mulan voltou a ser alvo de apelos de boicote, depois de os espetadores terem detetado agradecimentos nos créditos finais a várias agências governamentais de Xinjiang, região chinesa acusada de violações dos direitos humanos.
Após a estreia do filme da Disney, este fim de semana, ativistas denunciaram as referências a oito organizações ligadas à s autoridades de Xinjiang, que estão encarregadas de um programa de doutrinação de mais de um milhão de muçulmanos, detidos em campos de reeducação, onde há relatos de abusos fÃsicos e trabalho forçado.
Entre as organizações está o departamento de segurança pública da cidade de Turfán ou o departamento de propaganda do Partido Comunista Chinês na região.
Localizada no extremo noroeste da China, a região autónoma de Xinjiang foi convertida, nos últimos anos, num Estado policial, após violentos conflitos étnicos, entre membros da minoria étnica de origem muçulmana uigur e os han, a etnia maioritária na China, terem abalado o território.
Advogados que representam os uigures no exÃlio deram entrada de uma ação no Tribunal Penal Internacional (TPI) contra o Presidente chinês, Xi Jinping, e outras autoridades importantes de Pequim, por alegados crimes contra a humanidade.
O filme, cuja produção custou 200 milhões de dólares (170 milhões de euros) e que conta a história de uma lendária guerreira chinesa, já estava envolvido em polémica, depois de a atriz principal, Liu Yifei, ter expressado apoio à polÃcia de Hong Kong, numa altura em que os protestos antigovernamentais abalaram a região semiautónoma da China.
A Disney não comentou até agora a polémica sobre os agradecimentos.
Na semana passada, o ministro dos Negócios Estrangeiros da China, Wang Yi, defendeu numa conferência de imprensa, em Berlim, que os alegados campos de reeducação são antes programas que visam combater a radicalização dos uigures e prepará-los para o mercado de trabalho, através de treino vocacional.
“Mulan” foi lançado este fim de semana na plataforma Disney +, como alternativa aos cinemas, devido à pandemia do novo coronavÃrus.
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