
Minsk, 31 ago 2020 (Lusa) — O presidente da Bielorrússia, Alexander Lukashenko, demitiu hoje o embaixador do paÃs em Espanha, Pavel Poustovoi, por ter criticado a violência policial e apoiado uma recontagem de votos nas eleições presidenciais de 09 de agosto.
A agência Belta informou que Lukashenko assinou o decreto de destituição de Poustovoi, que acumulava com o cargo de representante bielorrusso na Organização Internacional de Turismo.
Lukashenko, no poder desde 1994, já tinha demitido na semana passada o embaixador bielorrusso na Eslováquia.
Poustovoi comentou em 19 de agosto, na sua página de Facebook, que a situação nesta antiga república soviética era “inaceitável” em um paÃs europeu do século XXI.
Acresce que advogou uma nova contagem dos votos da eleição presidencial, como forma de resolução pacÃfica da crise, uma investigação judicial contra os que atacaram os manifestantes e instigaram o uso excessivo da força por opar-te da polÃcia antimotim.
Um dos lÃderes da oposição unida, Pavel Latushko, que foi ministro da Cultura e também embaixador bielorrusso em Espanha, garantiu a Efe que Lukashenko ficou parado no século XX.
Mais de 100 mil pessoas participaram no domingo, na capital, Minsk, na terceira marcha pacÃfica contra Lukashenko, que hoje propôs mudar a Constituição, mas nega-se a dialogar com o Conselho Coordenador da oposição para uma transferência de poder.
Lukashenko, de 66 anos, dos quais 26 no poder na Bielorrússia, enfrenta um movimento de contestação inédito.
A crise foi desencadeada após as eleições de 09 de agosto, que segundo os resultados oficiais reconduziu Lukashenko para um sexto mandato presidencial, com 80% dos votos.
A oposição denunciou a eleição como fraudulenta e milhares de bielorrussos têm saÃdo à s ruas por todo o paÃs para exigir o afastamento de Lukashenko.
Os protestos têm sido reprimidos pelas forças de segurança, com milhares de pessoas detidas e centenas de feridos.
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