CAMPANHA VAI APOIAR EDUCAÇÃO DE CRIANÇAS MOÇAMBICANAS DESLOCADAS

Lisboa, 31 ago 2020 (Lusa) — Os portugueses vão poder ajudar a ir à escola as crianças das populações deslocadas que fogem dos ataques armados em Cabo Delgado, Moçambique, através de uma campanha de recolha de fundos numa cadeia de supermercados que arranca no sábado.

Com o mote “Sem escola, a infância pesa mais”, a campanha é uma iniciativa da Helpo, uma organização não governamental para o desenvolvimento atua em Portugal, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Guiné-Bissau, chegando atualmente a cerca de 57.000 crianças.

A angariação de fundos, que começa sábado e decorre até dia 14 de setembro, vai realizar-se em 418 lojas Pingo Doce, em todo o país, onde os clientes poderão contribuir com um, três ou cinco euros e, assim, “tornar mais fácil a educação das crianças moçambicanas”.

Segundo a Helpo, um dos principais objetivos da iniciativa é “financiar a resposta à emergência no apoio aos deslocados internos em Moçambique, nomeadamente as crianças, que têm de enfrentar um novo ano letivo em condições dramaticamente adversas”.

“Com a crise humanitária que atinge Cabo Delgado, são cerca de 4.000 novas crianças em idade escolar a que o apoio da Helpo terá de chegar”, prossegue a nota desta ONG.

Através do montante escolhido, os portugueses poderão comprar lanches, mochilas e manuais escolares para estas crianças.

“Nas comunidades mais pobres do norte de Moçambique, região em que a Helpo trabalha desde 2008, um simples lanche, distribuído na escola, pode ser o incentivo necessário para levar uma criança às aulas diariamente”, refere a Helpo, acrescentando que neste país “é comum não existir um único manual escolar, nem sequer para o professor”.

Nestas comunidades, onde muitas crianças têm de fazer vários quilómetros a pé para chegar à escola, uma mochila pode fazer toda a diferença.

Na província de Cabo Delgado e Nampula são milhares as populações deslocadas, fustigadas pela pobreza, conflitos armados, desastres naturais e, mais recentemente, pela covid-19.

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