
Minsk, 14 ago 2020 (Lusa) – A Bielorrússia manifestou hoje disposição para estabelecer um “diálogo construtivo” com o estrangeiro sobre as recentes eleições presidenciais e a contestação reprimida pelas autoridades, disse a diplomacia de Minsk.Â
“A Bielorrússia está pronta para o ???????diálogo construtivo e objetivo com os parceiros estrangeiros sobre todas as questões ligadas aos acontecimentos desde a campanha eleitoral”, disse o Ministério dos Negócios Estrangeiros em comunicado após uma conversa telefónica entre o chefe da diplomacia bielorrussa, Vladimir Makeï, e o seu homólogo suÃço, Ignazio Cassis.
“A conversa [com o ministro da SuÃça] centrou-se na discussão sobre as eleições presidenciais no nosso paÃs e a situação atual”, refere a nota de Vladimir Makei difundida pela agência de notÃcias estatal bielorrussa Belta.Â
Segundo o documento, Mekei demonstra a disponibilidade de Minsk para um “diálogo construtivo e objetivo” com os parceiros internacionais da Bielorrússia sobre todos os assuntos relacionados com os acontecimentos no paÃs “durante e depois da campanha eleitoral”.
Organizações de direitos humanos da Bielorrússia denunciaram na quinta-feira vários abusos e torturas contra detidos nas manifestações de protesto antigovernamentais registadas no paÃs desde a noite de domingo.Â
Doze organizações, entre elas a Viasna, o Comité HelsÃnquia e a Associação dos Jornalistas da Bielorrússia exigiram a libertação de todos os detidos e a abertura de uma investigação sobre maus tratos e atos de tortura.
De acordo com o Ministério do Interior, cerca de sete mil pessoas foram presas desde domingo após o momento em que as autoridades anunciaram a vitória de Alexander Lukashenko nas eleições presidenciais com mais de 80% dos votos.
A oposição ao regime exige o fim da repressão, a libertação dos presos polÃticos e a repetição das eleições presidenciais que diz terem sido marcadas por fraudes e irregularidades.Â
Hoje, os manifestantes bielorrussos voltaram a organizar manifestações pacÃficas em várias cidades do paÃs e os trabalhadores de várias fábricas iniciaram greves em solidariedade para com os detidos. Â
Também hoje, os ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia realizam uma reunião extraordinária, por videoconferência, na qual vão discutir a estratégia comum de resposta à repressão violenta contra as manifestações na Bielorrússia após as eleições presidenciais de domingo.
Apesar de os chefes de diplomacia europeia terem uma reunião informal agendada para 27 e 28 de agosto, em Berlim, o Alto Representante da UE para a PolÃtica Externa, Josep Borrell, decidiu na quarta-feira convocar este Conselho extraordinário, face ao agravamento da repressão pelo regime de Alexander Lukashenko das muitas manifestações que têm ocorrido um pouco por todo o paÃs ao longo da semana a contestar os resultados eleitorais, que já levou a milhares de detenções e a pelo menos duas vÃtimas mortais.
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PSP (PAL/ACC) // FPA
Lusa/fim
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