
Lima, 13 ago 2020 (Lusa) – O número de mulheres desaparecidas no Peru, um fenómeno endémico no paÃs, subiu de cinco por dia, em média, para oito, desde a quarentena decretada para travar a pandemia de covid-19, indicou o provedor de Justiça.
O desaparecimento de mulheres é um problema recorrente naquele paÃs latino-americano, que conta 33 milhões de habitantes.
Segundo dados do gabinete do provedor de Justiça, citados pela agência de notÃcias France-Presse (AFP), em 2019 desapareceram, em média, cinco mulheres por dia.
A situação agravou-se durante o confinamento, imposto entre 16 de março e 30 de junho em todo o paÃs, com o número a subir para oito desaparecimentos por dia.
Neste perÃdo, desapareceram 915 peruanas, 70% das quais menores.
Os familiares das vÃtimas e grupos de defesa dos direitos das mulheres acusam a polÃcia de não investigar os desaparecimentos, a pretexto de que deixaram as famÃlias voluntariamente, apesar da elevada taxa de assassÃnios de mulheres no paÃs e das redes de tráfico de seres humanos e de prostituição.
“Há resistência por parte da polÃcia para investigar estes casos. Exigimos que seja criado um registo nacional de pessoas desaparecidas”, disse à AFP a advogada Eliana Revollar, responsável pelos direitos das mulheres no gabinete do provedor de Justiça.
Em 2019, foram assassinadas 166 mulheres no paÃs. Um em cada dez casos tinha sido denunciado à s autoridades como desaparecimento, de acordo com o provedor de Justiça.
Desde o inÃcio da pandemia, o Peru registou 498.555 infeções e 21.713 mortes por covid-19, incluindo 212 óbitos nas últimas 24 horas, um novo máximo diário.
As autoridades vão impor um novo recolher obrigatório dominical a partir de 16 de agosto, tendo proibido igualmente as reuniões familiares, principal fonte de contágio com o novo coronavÃrus no paÃs.
O Peru é o terceiro Estado latino-americano mais afetado pela doença, atrás do Brasil e do México.
A pandemia de covid-19 já provocou mais de 743 mil mortos e infetou mais de 20,3 milhões de pessoas em 196 paÃses e territórios, segundo um balanço feito pela AFP.
Depois de a Europa ter sucedido à China como centro da pandemia em fevereiro, o continente americano é agora o que tem mais casos confirmados e mais mortes.
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