
Washington, 04 ago 2020 (Lusa) – Portugal está entre os paÃses que deverão ter perdas no setor do turismo superiores a 2% do Produto Interno Bruto (PIB) devido à pandemia de covid-19, de acordo com um relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI) hoje divulgado.
“As perdas nas receitas do turismo que ultrapassam os 2% do PIB devem concentrar-se em grandes exportadores de turismo, como a Costa Rica, Egito, Grécia, Marrocos, Nova Zelândia, Portugal, Espanha, Sri Lanka, Tailândia e Turquia”, pode ler-se no relatório sobre o setor externo hoje divulgado pelo FMI.
Os dados relativos ao turismo foram analisados a partir de um estudo da Organização Internacional do Turismo, que “inclui um cenário envolvendo um levantamento gradual de restrições à s viagens com inÃcio em setembro”, que implica “receitas no turismo 73% abaixo dos nÃveis de 2019”.
“Para economias dependentes de setores afetados [pela pandemia], como o petróleo e o turismo, ou dependentes de remessas, o impacto da crise foi especialmente agudo, com efeitos negativos na balança externa corrente a 2% do PIB que vão provavelmente necessitar de um ajustamento económico significativo”, alerta o FMI.
A nÃvel mundial, a instituição liderada por Kristalina Georgieva assinala que haverá um “encolhimento modesto” nos défices e excedentes das balanças correntes, de 0,3% do PIB global, um valor sujeito a “grande incerteza”.
“A deterioração no sentimento dos mercados financeiros no inÃcio da crise espoletou uma súbita reversão dos fluxos de capital e depreciações de moeda em várias economias emergentes e em desenvolvimento”, ao passo que as reservas se valorizaram, “refletindo o seu ‘porto-seguro’ em tempos de crise”.
No curto prazo, o FMI defende que “os esforços de polÃtica devem continuar a focar-se em providenciar alÃvios e a promover a recuperação económica”, e para se ajustarem ao choque externo, os paÃses com taxas de câmbio flexÃveis devem “permitir que se ajustem quando necessário”.
“No médio prazo, as distorções polÃticas e económicas que precederam a crise podem persistir ou piorar, implicando a necessidade de reformas”, refere também a instituição sediada em Washington.
Nos casos em que o “excesso de défices na conta corrente em 2019 reflita défices orçamentais maiores do que o desejável e onde esses desequilÃbrios persistam depois da crise, a consolidação orçamental a médio prazo promoveria a sustentabilidade da dÃvida, reduziria a diferença na balança corrente e facilitaria a acumulação de reservas internacionais”, segundo o FMI.
“A perspetiva para as posições externas [dos paÃses] permanece altamente incerta, com riscos significativos”, ressalva o fundo.
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