
Bissau, 10 jul 2020 (Lusa) – As escolas da Guiné-Bissau deverão voltar a ter aulas a partir de segunda-feira, mas os sindicatos de professores e a plataforma dos alunos mostram-se reticentes, apesar de a última palavra ser do Governo.
Franique da Silva, coordenador da Carta 21, plataforma que junta mais de 60 associações de alunos, e António da Costa, porta-voz de quatro sindicatos dos professores, disseram que caberá ao Governo determinar se existem ou não as condições mÃnimas para a retoma das aulas.
Na análise feita pelas duas estruturas, “muitas escolas” da Guiné-Bissau não oferecem “as mÃnimas condições exigidas” pelo Ministério da Saúde Pública, designadamente o distanciamento fÃsico e equipamentos para a lavagem das mãos.
Franique da Silva disse à Lusa que as reticências da Carta 21 se baseiam num inquérito levado a cabo em diferentes escolas do paÃs e ainda numa reunião de três dias, realizada recentemente em Bissau, na presença de 52 presidentes de associações de escolas da capital guineense.
O lÃder juvenil afirmou que a Carta 21 “não tem outra saÃda”, neste momento, e vai apelar aos alunos para que compareçam nas escolas a partir de segunda-feira, mas avisou que o Governo “será responsabilizado” por qualquer situação de contaminação escolar.
“Vamos apelar aos alunos que compareçam nas salas de aulas, mas que levem as máscaras”, declarou Franique da Silva.
O porta-voz de quatro sindicatos de professores (Sinaprof, Sindeprof, Frenaprof e Ciese), António da Costa, disse que os docentes estão prontos para retomar as aulas, desde que o Governo cumpra as condições que estes exigem.
O responsável sindical escusou-se a revelar quais são essas exigências, mas admitiu que “várias escolas nem têm as mÃnimas condições” para a retoma das aulas, nomeadamente aquelas construÃdas com colme.
O lÃder da plataforma Carta 21 disse que quer dar o benefÃcio de dúvida ao Governo, já que, afirmou, vários diretores de escolas têm assumido publicamente que existem condições para a retoma das aulas, mas entende que o melhor seria aguardar até setembro.
Franique da Silva apontou para o inÃcio da época das chuvas (entre maio e outubro) e ainda a situação provocada pela pandemia do novo coronavÃrus como fatores que irão impedir que as aulas decorram normalmente.
“Até ouvimos falar na possibilidade de alguns alunos assistirem à s aulas dentro de salas de aulas e outros fora, através de projetores de imagens. Queremos ver como vai ser isso com as chuvas”, afirmou o lÃder da Carta 21.
Para Franique da Silva, o melhor seria retomar as aulas em setembro para serem concluÃdas em dezembro e o novo ano letivo seria aberto em janeiro do próximo ano.
O lÃder da Carta 21 lamenta que esta proposta não tenha tido uma resposta do Ministério da Educação.
As escolas na Guiné-Bissau foram encerradas em março no âmbito do combate à pandemia provocada pelo novo coronavÃrus, que causa a covid-19.
A Guiné-Bissau registou até hoje um total acumulado de infeções por covid-19 de 1.842 pessoas, incluindo 26 vÃtimas mortais e 773 recuperados.
A maior parte dos casos foram registados no Setor Autónomo de Bissau.
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