
Lisboa, 06 jul (Lusa) – Mais de 200 cientistas pediram hoje à Organização Mundial de Saúde (OMS) que reconheça “o potencial de transmissão aérea” da covid-19 e pedem medidas preventivas para esta forma de contágio, sobretudo em espaços lotados, como transportes públicos.
Até agora, a OMS tem apontado como principal via de transmissão do novo coronavÃrus as gotÃculas respiratórias expelidas quando alguém fala ou tosse e que atingem outra pessoa, daà a necessidade de guardar uma distância de segurança de dois metros.
No entanto, estudos feitos pelos signatários da carta dirigida à OMS e por outros investigadores demonstram “para além de qualquer dúvida razoável” que os vÃrus se libertam pela respiração, fala ou tosse em microgotÃculas suficientemente pequenas para permanecer no ar e constituir “um risco de exposição a distâncias superiores a um ou dois metros de uma pessoa infetada”.
O problema, dizem, é “especialmente grave” em ambientes interiores ou fechados, especialmente os que “estão abarrotados e têm ventilação inadequada” em relação ao número de ocupantes e aos perÃodos de exposição.
“Apelamos à comunidade médica e à s instituições internacionais e nacionais responsáveis para que reconheçam o potencial da transmissão aérea da covid-19”, afirmam.
A petição está associada a um artigo cientÃfico chamado “é hora de abordar a transmissão aérea da covid-19”, cuja principal autora é Lidia Morawska, do Laboratório Internacional de Qualidade do Ar e Saúde da Universidade Tecnológica de Queensland, na Austrália.
O texto, publicado na revista Clinical Infectious Diseases, é apoiado por 239 cientistas, e nele se cita o exemplo de um restaurante chinês em que houve contágio e se verificou, através de gravações das câmaras de vigilância, que não houve contacto direto nem indireto entre a pessoa infetada e aquelas que foram contagiadas.
A lavagem de mãos e o distanciamento fÃsico são medidas apropriadas, mas insuficientes para garantir proteção das microgotÃculas que transportam o vÃrus e são espalhadas pelo ar pelas pessoas infetadas, consideram, recomendando ventilação adequada e suficiente, com entrada de ar fresco ou o mÃnimo de reutilização de ar, especialmente nos edifÃcios públicos, locais de trabalho, escolas, hospitais e lares de idosos, evitando “ajuntamentos, especialmente nos transportes ou edifÃcios públicos”.
É possÃvel, com ações como abrir portas ou janelas, aumentar “de forma radical a taxa de fluxo de ar em muitos edifÃcios”, afirmam na carta.
Embora reconheçam que “ainda não há consenso sobre a transmissão aérea” do novo coronavÃrus, destacam que “há provas que apoiam de forma mais que suficiente a aplicação do princÃpio da precaução”.
“As pessoas podem pensar que estão completamente protegidas se seguirem as recomendações atuais, mas, na verdade, são precisas intervenções adicionais na transmissão por via aérea para reduzir ainda mais o risco de infeção”, referem.
A pandemia de covid-19 já provocou mais de 534 mil mortos e infetou mais de 11,47 milhões de pessoas em 196 paÃses e territórios, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.
Em Portugal, morreram 1.620 pessoas das 44.129 confirmadas como infetadas, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.
A doença é transmitida por um novo coronavÃrus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.
APN // ZO
Lusa/fim



