
Praia, 22 jun 2020 (Lusa) — A presidente do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV), Janira Hopffer Almada, defendeu hoje a continuação dos testes para aumentar o combate e reduzir os riscos de propagação do novo coronavÃrus no paÃs.Â
A lÃder do maior partido da oposição cabo-verdiana falava na cidade da Praia, dias após o Governo anunciar que não vai obrigar à apresentação de testes antecipados à covid-19 para quem chega do exterior ou nos voos domésticos.Â
Janira Hopffer Almada sublinhou que o estado de emergência, diferenciado por ilhas, de 29 de março a 29 de maio, foi “uma boa medida, amplamente apoiada” pelos cabo-verdianos para conter a propagação do vÃrus.Â
“A questão que se coloca neste momento é se de um momento para o outro, a questão dos testes, das cautelas, das medidas preventivas, são pura e simplesmente abandonadas, que efeito terá tido o estado de emergência para essa propagação?”, questionou a lÃder partidária.Â
Para a presidente do PAICV, nestas questões, os sacrifÃcios devem ser justificados com uma postura condizente ao longo do tempo.Â
“O Governo tem dito que o estado de emergência terminou, mas que o vÃrus não se foi embora. Se o vÃrus não se foi embora, é preciso que algumas medidas de controlo continuem, para que a propagação não fuja do controlo”, prosseguiu.Â
A presidente do maior partido da oposição lembrou que Cabo Verde é um paÃs constituÃdo por ilhas, com muita mobilidade, pelo que o seu partido defendeu a massificação dos testes desde o primeiro momento.Â
“Continuamos a defender que é preciso continuar a aumentar o número de testes e a fazer testes lá onde for necessário, exatamente para aumentar o conhecimento, focalizar o combate e reduzir os riscos de propagação”, sustentou Janira Hopffer Almada, que falava após um encontro com o Governo sobre o Orçamento Retificativo para 2020.Â
Para a lÃder partidária, sem a realização dos testes, a capacidade de deteção do vÃrus diminuiu, e diminuindo a capacidade de deteção, diminui a capacidade de luta e de combate.
Em 30 de junho termina a interdição das ligações aéreas e Cabo Verde não vai obrigar à apresentação de testes antecipados à covid-19 para quem chega do exterior ou nos voos domésticos.Â
“Para além da pouca eficácia dos testes para efeitos de viagens, os custos relacionados com o planeamento, a organização e a efetivação das viagens impostos aos passageiros seriam fortemente inibidores da mobilidade e da circulação entre as ilhas e nas relações com o exterior”, referiu uma resolução do Conselho de Ministros, publicada na semana passada, sobre o plano de desconfinamento do arquipélago.Â
Desde 19 de março que Cabo Verde está fechado à s ligações aéreas internacionais, enquanto os voos domésticos foram suspensos 10 dias depois, medidas definidas pelo Governo para travar a progressão do novo coronavÃrus.Â
Da resolução não consta qualquer medida de quarentena obrigatória a quem chega do exterior, contrariamente ao que acontece atualmente, com os voos de repatriamento, os únicos autorizados.Â
Os aeroportos e operadores aéreos passam, com esta resolução, a estar obrigados a ter planos de contingência aprovados, a lotação dos terminais terá de ser reduzida e o acesso limitado apenas aos passageiros.Â
O rastreio sanitário aos passageiros será feito à entrada do terminal aeroportuário e, no interior, o distanciamento social, sinalizado, é de 1,5 metros, além de ser obrigatório o uso de máscaras por utentes, funcionários, prestadores de serviço e tripulantes “nos terminais aeroportuários e das aeronaves”, nas ligações entre ilhas.Â
O Governo cabo-verdiano ainda não revelou a lista dos paÃses cujos voos de origem serão autorizados por Cabo Verde, mas numa entrevista à Rádio Morabeza na semana passada, o primeiro-ministro admitiu que os voos com origem em Portugal serão dos primeiros a retomar.Â
Cabo Verde regista um acumulado de 944 casos de covid-19 desde 19 de março, que provocaram oito mortos, mas 419 já foram considerados recuperados.
A pandemia de covid-19 já provocou mais de 468 mil mortos e infetou quase 9 milhões de pessoas em 196 paÃses e territórios, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.
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RIPE (PVJ) // LFS
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