COVID-19: ASSOCIAÇÃO DIZ QUE MAIS ALBINOS PEDEM AJUDA ALIMENTAR EM MOÇAMBIQUE

Maputo, 12 jun 2020 (Lusa) — A Associação de Apoio a Albinos de Moçambique (Albimoz) disse hoje à Lusa que o número crescente de pedidos de ajuda alimentar devido à covid-19 ensombram o Dia Internacional para a Consciencialização do Albinismo, que se celebra sábado.

Sempre que se aproximam da associação “é para pedir mantimentos, muitos não têm o que comer, não têm nenhuma fonte de rendimento e isso piorou com a covid-19”, referiu Wiliamo Savanguene, presidente da Albimoz.

Para a associação, o alto nível de desemprego nas pessoas com albinismo, provocado por discriminação, é a principal causa de fome e o novo coronavírus amplificou o problema.

“Antes [estas pessoas] arranjavam outros meios para se sustentar, mas agora tudo piorou”, referiu Wiliamo Savanguene, numa alusão às restrições impostas pelo estado de emergência para prevenção da covid-19, em vigor desde 01 de abril e até 29 de junho.

Sem acesso a alimentos, também não há maneira de garantir produtos de higienização.

“Nem todos tem condição de adquirir o álcool gel, por exemplo, e, por isso, temos estado a bater às portas para obter esses produtos”, acrescentou o presidente da Albimoz.

A associação, com mais de 2.000 membros, comemora a Dia Internacional para a Consciencialização do Albinismo numa altura em que ainda coloca a discriminação pelas pessoas com albinismo em Moçambique como um dos seus principais desafios.

“Sem discriminação, a pessoa luta por si mesma, mas com obstáculos, é difícil, muitas portas estão fechadas”, concluiu.

Moçambique conta com 509 casos de covid-19, dois óbitos e 145 recuperados.

Estima-se que haja 20.000 a 30.000 pessoas com albinismo em Moçambique, muitas com condições de saúde agravadas devido à falta de pigmentação na pele, olhos e cabelo, tornando-as mais claras.

O cancro da pele é uma das principais causas de morte entre pessoas com albinismo na África Subsaariana, estimando-se que muitas morram prematuramente entre os 30 e 40 anos.

Outras são vítimas de perseguições, violência e discriminação devido a mitos e superstições – especialmente quando são crianças -, colocando-as entre as que mais sofrem violações de direitos humanos.

A pandemia de covid-19 já provocou mais de 421 mil mortos e infetou mais de 7,5 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

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