
Lisboa, 28 mai 2020 (Lusa) — O secretário-geral do PCP admitiu hoje que “não seria um drama”, devido à pandemia de covid-19, cancelar a festa do Avante, e garantiu que não é por dinheiro que os comunistas estão empenhados em realizá-la em setembro.
“Drama não seria” se não se realizasse a festa, afirmou Jerónimo de Sousa, questionado pelos jornalistas, no final de uma reunião com epidemiologistas, em Lisboa, pedindo, com um sorriso, calma à s “almas mais inquietas”.
“Descansem as almas mais inquietas que isso não seria determinante para as nossas opções”, numa referência a um eventual dano financeiro nas contas dos comunistas se não se realizasse a festa anual no Seixal, distrito de Setúbal.
De resto, o lÃder dos comunistas repetiu que o PCP mantém os planos de fazer esta festa partidária, de 04 a 06 de setembro, se houver condições para tal devido ao surto epidémico.
“Estamos muito empenhados na realização daquele grande acto polÃtico, cultural, de festa, de música, arte, que demonstra que não é um festival. Não estaremos distraÃdos em relação à evolução que se verificará [quanto ao surto] nestes três meses e meio. Se as condições o permitirem naturalmente realizaremos a festa”, justificou ainda.
Se for possÃvel avançar com a festa, os comunistas têm prometido que vão seguir as regras de segurança e sanitárias que eventual venham a ser definidas pelas autoridades de saúde.
A realização da festa do Avante está envolta em polémica depois de todos os partidos terem cancelado acontecimentos que juntem muitas pessoas e de o Governo ter proibido os festivais de verão até setembro.
O próprio Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, comentou indiretamente o assunto, ao afirmar que as regras a definir pelas autoridades sanitárias para festas partidárias ou populares têm de “valer para todos”, por que o novo coronavÃrus não muda consoante a natureza das iniciativas.
Em 09 de maio, a ministra da Saúde, Marta Temido, disse que a Direção-Geral da Saúde (DGS) definirá “oportunamente” regras para a Festa do Avante, frisando que isso depende da evolução da covid-19, que “ainda é uma incerteza”.
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