
Frankfurt, 26 mai 2020 (Lusa) – O Banco Central Europeu alertou hoje para a relação entre os ‘ratings’ da banca e do Estado na sequência da pandemia de covid-19, referindo-se especificamente ao caso português no relatório de Estabilidade Financeira hoje divulgado.
“Ligações significativas entre bancos e soberanos [Estados] em alguns paÃses da zona euro criam riscos de ciclos negativos interligados suscitados por diminuições nos ‘ratings’ dos soberanos ou dos bancos”, pode ler-se no relatório do BCE hoje divulgado.
A instituição presidida por Christine Lagarde refere que “permanece um risco de que as agências de ‘rating’ possam diminuir as classificações dos soberanos e/ou dos bancos”, o que pode reativar “ciclos negativos do nexo banco-soberano, especialmente para Itália e Portugal, bem como para Espanha, onde os ‘ratings’ dos bancos estão mais perto do grau de não-investimento [vulgo ‘lixo’]”.
O BCE considera ainda assim que a reforma no que à resolução de bancos diz respeito, comparativamente com o que sucedeu na anterior crise “deve reduzir a força desse nexo” entre Estados e banca.
Numa teleconferência de imprensa sobre o relatório hoje divulgado, questionado sobre a relação entre a dÃvida banca e os Estados (para a qual o BCE aponta no caso português, italiano e espanhol), o vice-presidente do BCE Luis de Guindos realçou a importância dos sistemas de garantia estatais, para além da disponibilização de liquidez ao sistema bancário no âmbito da crise provocada pela pandemia de covid-19.
“É claro que isto vai fomentar o nexo entre o Estado e os bancos, mas penso que o positivo e a abrangência da medida dos sistemas públicos de garantia claramente se sobrepõem aos negativos”, considerou.
No mesmo documento, o BCE também relevou a problemática da solvência das seguradoras e relação com a dÃvida pública, assinalando que “o alto nÃvel de exposição a dÃvida soberana doméstica também indica uma presença atual de um ‘nexo seguradores-soberanos'”.
De acordo com o relatório de Estabilidade Financeira do BCE, “a solvência das seguradoras poderia ser significativamente enfraquecida por um duplo golpe proveniente do declÃnio do preço dos ativos e de taxas de juro baixas por mais tempo”.
“Se as preocupações acerca da sustentabilidade da dÃvida pública subirem novamente, os rácios de solvência poderiam também ser afetados de forma adversa pela alta concentração de dÃvida soberana nas carteiras das seguradoras”, adverte a instituição presidida por Christine Lagarde.
O BCE lembrou que “as seguradoras tradicionalmente têm percentagens significativas das suas carteiras em dÃvida pública, contabilizando até 70% dos seus tÃtulos de dÃvida totais em alguns paÃses”, algo que “poderia ser enfraquecido no caso de novo ‘stress’ nos mercados de dÃvida soberana”.
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