
 Lisboa, 24 mai 2020 (Lusa) — O primeiro-ministro, António Costa, recordou hoje a escritora Maria Velho da Costa, que morreu no sábado, aos 81 anos, como autora de “uma obra inovadora”, que espera que “todos os leitores” encontrem.
“Maria Velho da Costa deixa-nos uma obra inovadora, que merece todos os leitores que venha a encontrar”, afirmou o primeiro-ministro numa mensagem na rede social ‘Twitter’.
Na publicação, António Costa salienta que “Maria Velho da Costa foi uma das “Três Marias” que ousaram reclamar, para as mulheres, a liberdade que lhes era devida” e acrescenta que, “sendo, ao mesmo tempo, manifesto e obra literária, “Novas Cartas Portuguesas” inscreve Portugal na história da luta pelos direitos das mulheres”.
“Escrita em conjunto com Maria Isabel Barreno e Maria Teresa Horta, “Novas Cartas Portuguesas” antecipa a geração de escritoras que renovou a literatura portuguesa pós-1974″, considera o primeiro-ministro, numa outra publicação.
A obra foi publicada em 1972 por Maria Teresa Horta, conjuntamente com Maria Isabel Barreno (que faleceu em setembro de 2016) e Maria Velho da Costa, que morreu sábado em Lisboa, aos 81 anos, ficando as autoras conhecidas internacionalmente como “as três Marias”.
A obra “Novas Cartas Portuguesas” denunciou a repressão e a censura do regime do Estado Novo, exaltando a condição feminina e a liberdade de valores para as mulheres, e valeu à s três autoras um processo judicial, suspenso depois da revolução de 25 de Abril de 1974.
No percurso literário, Maria Velho da Costa foi várias vezes premiada.
Em 1997, recebeu o Prémio VergÃlio Ferreira pelo conjunto da obra literária, com o romance “Lúcialima” (1983) recebeu o Prémio D. Diniz, e o romance “Missa in albis” (1988) foi Prémio PEN de NovelÃstica.
Com a coletânea “Dores” (1994) recebeu o Grande Prémio de Conto Camilo Castelo Branco da Associação Portuguesa de Escritores (APE) e o Prémio da Associação Portuguesa de CrÃticos Literários.
Em 2000, a APE atribuiu-lhe o Grande Prémio de Teatro por “Madame”, e o Grande Prémio de Romance, por “Irene ou o contrato social”.
O último romance que publicou, “Myra” (2008), valeu-lhe o Prémio PEN Clube de NovelÃstica, o Prémio Máxima de Literatura, o Prémio Literário Correntes d’Escritas e o Grande Prémio de Literatura dst.
Em 2002 foi galardoada com o Prémio Camões, em 2003, foi feita Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique e, em 2011, Grande-Oficial da Ordem da Liberdade.
Em 2013 recebeu o Prémio Vida Literária, da APE, afirmando, no discurso de aceitação, que a literatura não é só “uma arte, um ofÃcio”, mas também “a palavra no tempo, na história, no apelo do entusiasmo do que pode ser lido ou ouvido, a busca da beleza ou da exatidão ou da graça do sentir”.
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FM (VP/SS) // JH
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