
Melbourne, Austrália, 13 mai 2020 (Lusa) – Uma equipa de investigadores australianos desenvolveu uma técnica com recurso a microalgas que permite que os corais fiquem mais tolerantes ao aquecimento dos oceanos, provocado pelas mudanças climáticas, tendo a descoberta sido hoje anunciada.
“As mudanças climáticas reduziram a cobertura dos corais, e os corais sobreviventes estão sob pressão crescente à medida que as temperaturas da água aumentam, e que sobem a frequência e a gravidade dos eventos de branqueamento de corais”, realçou em comunicado Patrick Buerger, da Organização para a Investigação CientÃfica e Industrial da Commonwealth (CSIRO), acrescentando que “os bancos de corais estão em declÃnio em todo o mundo”.
Os corais com maior tolerância ao calor têm o potencial de reduzir o impacto do branqueamento dos recifes causado pelas ondas de calor marinhas, que são cada vez mais comuns devido à s alterações climáticas, de acordo com as conclusões da investigação que, além da agência cientÃfica australiana também envolveu investigadores do Instituto Australiano das Ciências Marinhas (AIMS) e da Universidade de Melbourne.
Os cientistas tornaram os corais mais tolerantes ao branqueamento induzido pelas crescentes temperaturas do mar através do reforço da tolerância ao calor de microalgas, numa tentativa bem-sucedida de aumentar a resistência do coral ao calor.
As microalgas do coral foram isoladas e cultivadas em laboratório, usando a técnica da “evolução direcionada”, através da qual eles expuseram as microalgas a temperaturas cada vez mais quentes ao longo de quatro anos, o que as ajudou a adaptar e sobreviver a condições mais quentes.
“Quando as microalgas foram reintroduzidas em larvas de coral, a simbiose recém-estabelecida entre algas e corais foi mais tolerante ao calor em comparação com a original”, assinalou Patrick Buerger.
As microalgas foram expostas a temperaturas comparáveis à s temperaturas do oceano durante as atuais ondas de calor marinhas do verão, que têm causado o branqueamento dos corais na Grande Barreira de Corais, localizada no nordeste da Austrália, e que é o maior organismo vivo da Terra, sendo visÃvel até do espaço.
Com cerca de 2.300 quilómetros de extensão, a Grande Barreira é composta por milhares de recifes e centenas de ilhas feitas de mais de 600 tipos de corais duros e macios, abrigando inúmeras espécies de peixes, moluscos e estrelas-do-mar, além de tartarugas, golfinhos e tubarões.
“Descobrimos que as microalgas tolerantes ao calor são melhores na fotossÃntese e melhoram a resposta ao calor do animal coral”, adiantou a professora Madeleine van Oppen, da AIMS e da Universidade de Melbourne, salientando que “estas descobertas empolgantes mostram que as microalgas e o coral estão em comunicação direta entre si”.
Segundo o grupo de investigadores, o próximo passo da investigação é testar ainda mais as linhagens de algas em colónias adultas numa variedade de espécies de corais.
“Este avanço fornece uma ferramenta nova e promissora para aumentar a tolerância ao calor dos corais e é uma grande vitória para a ciência australiana”, rematou Cláudia Vickers, professora da CSIRO.
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