
Barcelona, Espanha, 08 mai (Lusa) — O primeiro gato infetado pelo coronavÃrus em Espanha, que é o sexto a nÃvel mundial, foi detetado por técnicos do Centro de Investigação de Saúde Animal da região da Catalunha (CReSA).
O gato, chamado “Negrito” e que já morreu, vivia com uma famÃlia de várias pessoas infetadas pela covid-19 e sofria de uma doença cardÃaca.
Um dos investigadores, JoaquÃm Segalés, citado pela agência Efe, afirmou que “a cadeia de transmissão do vÃrus é de pessoas para gatos, e os gatos são as vÃtimas colaterais da doença nos seres humanos”.
O técnico salientou que “a via predominante de transmissão da covid-19 é de humano para humano, e que a capacidade dos gatos para transmitir a doença é insignificante, ou seja, não desempenham um papel significativo na epidemiologia da doença”.
“Não há provas de transmissão dos animais para os seres humanos e não conhecemos a capacidade dos animais de infetarem outros animais”, acrescentou.
Um estudo recente feito na China demonstrou que a transmissão é possÃvel, mas muito difÃcil em condições laboratoriais, pelo que, “em condições reais, deverá ser ainda mais difÃcil”.
Por seu lado, a diretora da CReSA, Natà lia Majó, também citada pela agência de notÃcias espanhola, indicou que é possÃvel “que alguns animais sejam infetados através do contacto próximo com pessoas infetadas”, dado que a infeção pelo novo coronavÃrus já se espalhou amplamente entre a população humana.
Estudos cientÃficos publicados até agora indicam que os gatos são uma das espécies de animais sensÃveis à infeção pelo SRA-CoV-2, tais como furões, martas, hamsters, primatas não humanos e, em menor grau, cães.
Contudo, Majó considerou que, neste momento, “existem poucos estudos sobre a suscetibilidade das diferentes espécies animais ao coronavÃrus e sobre a dinâmica da infeção em espécies animais sensÃveis”.
O “Negrito” foi internado num hospital veterinário com graves dificuldades respiratórias, uma temperatura retal de 38,2 graus, um nÃvel muito baixo de plaquetas e insuficiência cardÃaca, tendo por isso sido praticada uma eutanásia para aliviar a sua situação.
Posteriormente, foi transferido para a CReSA, onde foi submetido a uma necropsia, dado que este centro possui uma unidade de bio-contenção adequada para trabalhar com o coronavÃrus.
A necropsia mostrou que o gato tinha uma cardiomiopatia hipertrófica felina, geralmente de origem genética, e que as causas de insuficiência cardiorrespiratória aguda eram edema e congestão pulmonar e hemorragia.
Além disso, foi detetado material genético SARS-CoV-2 em amostras retiradas do nariz e do gânglio linfático mesentérico (que drena o intestino), embora com uma carga viral baixa, e nenhuma das lesões apresentadas pelo animal era compatÃvel com a infeção pelo vÃrus.
Segalés considerou que a deteção do coronavÃrus neste animal “foi acidental e não relacionada com os sintomas clÃnicos para os quais foi decidido praticar a eutanásia”.
Esta investigadora indicou que todos os casos conhecidos de gatos infetados pelo coronavÃrus tinham um denominador comum, pertenciam a famÃlias com doentes da covid-19.
Acrescentou que este caso era especial, porque os técnicos sabiam “que [o gato] estava num ambiente com pessoas com a covid-19 e poderia ter sido exposto ao vÃrus”.
Os investigadores recomendam, assim como é defendido pela Organização Mundial da Saúde Animal (OIE), que as pessoas infetadas com o vÃrus e com animais de estimação em casa tomem medidas básicas de higiene, como lavar as mãos antes e depois do contacto com os animais ou ao manusear os alimentos ou objetos pessoais, bem como evitar dar beijos.
“Se possÃvel, o melhor a fazer é evitar o contacto direto”, foi recomendado pelo CReSA, um centro pertencente ao Instituto de Investigação e Tecnologia Alimentar e AgrÃcola (IRTA), que faz parte do departamento da Agricultura, Pecuária, Pescas e Alimentação do Governo regional catalão.
Sintomas como febre, tosse, dificuldade em respirar, espirros, vómitos, diarreia ou letargia são sinais clÃnicos potencialmente compatÃveis com as infeções pelo SARS-CoV-2, pelo que os investigadores recomendam que, em caso de dúvida, seja melhor consultar um veterinário.
A Espanha é um dos paÃses mais atingidos pela covid-19, que a nÃvel global, segundo um balanço da agência de notÃcias AFP, já provocou cerca de 267 mil mortos e infetou mais de 3,8 milhões de pessoas em 195 paÃses e territórios.
O paÃs registou, nas últimas 24 horas, 229 mortes devido à pandemia de covid-19, uma ligeira subida em relação aos 213 de quinta-feira, havendo até agora um total de 26.299 óbitos, segundo as autoridades sanitárias.
De acordo com o Ministério da Saúde espanhol, há 1.095 novos casos positivos, um número que apesar de superior ao de quinta-feira, mantém a tendência de redução dos últimos dias, elevando para 222.857 o total de infetados confirmados pelo teste PCR, o mais fiável na deteção do vÃrus.
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