
Redação, 03 mai 2020 (Lusa) — A Associação Portuguesa de Bibliotecários, Arquivistas e Documentalistas (BAD) considerou hoje que estes serviços devem retomar atividade de “forma faseada” e ser imposta quarentena obrigatória a todos os documentos consultados ou emprestados, para impedir a contaminação por covid-19.
Além disso, e numa primeira fase, a associação entende que deverão continuar vedadas a leitura e a consulta presencial, na “esmagadora maioria” dos equipamentos.
Na segunda-feira, as bibliotecas e arquivos, por todo o paÃs, vão poder reabrir, fazendo parte das atividades que integram a primeira fase do plano nacional de desconfinamento, definido na quinta-feira pelo Governo de António Costa.
Numa tomada de posição publicada na sua página, a associação adiantou que, apesar do confinamento social, poucos arquivos encerraram, tendo a sua maioria mantido a disponibilização de documentos em suporte digital e o fornecimento de serviços internos.
Um “número muito considerável” de bibliotecas manteve também os seus serviços a funcionar à distância, através da consulta de recursos digitais e da partilha e produção de conteúdos ‘online’ e, algumas delas, continuaram mesmo a realizar o serviço de empréstimo domiciliário de documentos, mas de forma adaptada, recorda a BAD.
Defendendo a quarentena obrigatória de todos os documentos consultados ou emprestados, para impedir uma possÃvel contaminação, os bibliotecários, arquivistas e documentalistas defendem ainda a inibição do livre acesso à s estantes.
A segurança de todos os trabalhadores deve ser uma prioridade, devendo ser garantida a existência de equipamento de proteção individual pelas entidades empregadoras, defendem.
“Devem ser previamente garantidas as orientações da Direção-Geral da Saúde (DGS), nomeadamente a lotação máxima reduzida, o controlo de acessos, o trabalho parcial com horários desfasados, privilegiando sempre que possÃvel o teletrabalho, o distanciamento fÃsico, a etiqueta respiratória, a higienização regular dos espaços e dos materiais e proteção de trabalhadores e de utilizadores”, sublinhou.
A BAD vincou que os serviços devem se retomados “de forma faseada”, devendo todas as decisões ser avaliadas, pelo menos quinzenalmente, e só após estarem garantidas e serem comunicadas aos trabalhadores e à população todas as condições de trabalho e os procedimentos na prestação de serviços ao público.
A associação remete ainda para as orientações da Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas (DGLAB), publicados no inÃcio do confinamento, em março, e atualizados na semana passada.
O limite do número de trabalhadores, através da rotação das equipas, “que asseguram funções não compatÃveis com o teletrabalho”, a desinfeção dos documentos, sempre que possÃvel, ou a sua quarentena (até um perÃodo máximo de nove dias), a desinfeção de superfÃcies de contacto (balcões, mesas, computadores, material de escritório), a desinfeção regular das mãos e o uso de proteção individual, como luvas e máscaras, são algumas das orientações publicadas pela DGLAB.
A disponibilização à porta da biblioteca ou ‘ao postigo’ (em ‘take-away’ ou ‘drive-thru’) são outras possibilidades.
A DGLAB recorda ainda que, em muitos casos, serão os municÃpios a definir os modos de funcionamento, apelando a que sejam seguidas as orientações da DGS e das autoridades locais de saúde, como o limite máximo do número de pessoas nos espaços da biblioteca ou do arquivo, assim como na entrada do edifÃcio (regra de ocupação máxima indicativa de 0,04 pessoas por metro quadrado de área) além do distanciamento social (mÃnimo de dois metros).
Desde meados de março, quando foi decretado o estado de emergência para conter o novo coronavÃrus, que o setor da cultura está praticamente parado.
Portugal contabiliza 1.043 mortos associados à covid-19 em 25.282 casos confirmados de infeção, segundo o boletim diário da Direção-Geral da Saúde (DGS) sobre a pandemia, divulgado hoje.
Relativamente ao dia anterior, há mais 20 mortos (+2%) e mais 92 casos de infeção (+0,4%).
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