
Nampula, Moçambique, 28 abr 2020 ( Lusa) – Os professantes da religião muçulmana em Moçambique foram obrigados a “reinventar” o Ramadão, na sequência das medidas do estado de emergência face à pandemia da covid-19, disse hoje à Lusa o Conselho Islâmico.
“Estamos a tentar se familiarizar com esta nova realidade, reinventando uma nova forma perante esta situação. É triste termos de passar o Ramadão isolados e sem poder jejuar lado a lado”, disse à Lusa o Sheik Abdul Magid António, representante do Conselho Islâmico em Nampula, a provÃncia mais populosa do paÃs, com cerca de 5,7 milhões de habitantes.
Com as mesquitas fechadas por imperativo do decreto do estado de emergência, devido à covid-19, a “oração noturna” e a “quebra de jejum” depois do pôr do sol são todas feitas em casa, apenas com a famÃlia e num ambiente diferente do tradicional.
“A religião tradicionalmente incentiva a inteiração social e é triste não termos como interagir neste momento. Mas a comunidade está gradualmente entender que são restrições necessárias”, acrescentou.
O Ramadão é o nono mês do calendário islâmico e o quarto dos cinco pilares do Islão, sendo que, durante o perÃodo, os muçulmanos devem jejuar desde o nascer até ao por do sol.
Como é feito em todos os anos nesta época, a ministra do Trabalho e Segurança Social de Moçambique, Margarida Talapa, decidiu flexibilizar o horário de trabalho para professantes da religião muçulmana, que vão passar a trabalhar, no perÃodo da manhã, das 8:15 à s 12:15 horas e, no turno da tarde, das 13:30 à s 16:15 horas, entre 25 do mês em curso e 25 de maio.
Além do cristianismo, o islamismo é uma das religiões mais professadas em Moçambique, principalmente no norte do paÃs, devido à s influências do contacto com os povos árabes por volta do século VI, antes da chegada dos portugueses.
De acordo com o censo geral de 2017, 18% da população moçambicana segue a religião islâmica, a segunda mais representativa depois da religião católica, com 26% da população.
Com total de 76 casos registados, Moçambique vive em estado de emergência durante o mês de abril, com escolas e espaços de lazer encerrados, bem como proibições de cultos e aglomerações.
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