
Lisboa, 06 mar 2020 (Lusa) – As mulheres já representam cerca de metade da população ativa e em 2019 criaram riqueza no valor de 99.214 milhões de euros, mas receberam menos 8.282,4 milhões de euros do que os homens, refere um estudo.
Esta é a principal conclusão de um estudo feito pelo economista Eugénio Rosa, a propósito do Dia Internacional da Mulher, que se comemora no próximo domingo.
O economista explica no texto introdutório da análise, a que a agência Lusa teve acesso, que utilizou “os poucos dados oficiais existentes” sobre a situação da mulher em Portugal para mostrar a sua importância crescente na vida do paÃs (na população ativa, no emprego, nas principais profissões, na criação anual da riqueza) e para mostrar também as “significativas desigualdades quer na remuneração entre homens e mulheres, quer no emprego”.
Neste âmbito, o estudo refere que se em 2019 as 2,4 milhões de mulheres que trabalham tivessem o mesmo ganho médio que os homens teriam recebido mais 8.282,4 milhões de euros.
“Pagando à s mulheres em média uma remuneração inferior à quela que pagam em média aos homens, utilizando como justificação, mesmo não declarada, o género, as entidades patronais obtiveram desta forma aquele lucro extra”, considera Eugénio Rosa.
Citando dados do INE, o estudo salienta que as mulheres têm vindo a aumentar o seu peso no total da população ativa, passando dos 48,8% em 2015 para os 49,4%. Subindo esta percentagem para os 60,2% quando se fala em população ativa com o ensino superior.
Relativamente à população empregada, as mulheres representavam, em 2019, 49% do total.
No ano passado, 49,3% dos empregados com o ensino secundário e pós-secundário eram mulheres e 60% dos empregados com o ensino superior também eram mulheres.
Para salientar a importância das mulheres na criação da riqueza do paÃs, Eugénio Rosa diz que se estima que em 2019 as mulheres tenham criado com o seu trabalho mais de 99.214 milhões de euros, o que corresponde a metade do valor do PIB.
O estudo do economista salienta ainda a importância das mulheres nas várias profissões.
Refere que as mulheres dominam profissões importantes para o crescimento económico e desenvolvimento do paÃs, ao representarem 58,1% dos especialistas de atividades intelectuais e cientÃficas, 43,3% dos técnicos e profissões de nÃvel intermédio, 64,7% do pessoal administrativo, 66,5% do pessoal dos serviços pessoais e vendedores.
Mas, por outro lado, 69,6% dos trabalhadores considerados não qualificados são mulheres.
Apesar da escolaridade média das mulheres empregadas ser superior à dos homens, a maioria dos trabalhadores que recebe o salário mÃnimo são mulheres.
Em 2019, 31% das mulheres empregadas (746,7 mil) recebia apenas o salário mÃnimo nacional, enquanto nos homens esta percentagem era de 21%.
No ano passado, a remuneração base média mensal das mulheres era inferior à dos homens em 15,3% e o ganho médio, que inclui subsÃdios e horas extraordinárias, era inferior em 18,9%.
Segundo Eugénio Rosa, a desigualdade de remuneração entre homens e mulheres varia muito de profissão para profissão, podendo chegar aos 69,9%, nos técnicos de nÃvel intermédio dos serviços jurÃicos, sociais, desportivos, culturais e similares.
O economista facultou este estudo à CGTP, no inÃcio desta semana, quando a central tem em curso um conjunto alargado de iniciativas em defesa da igualdade no trabalho.
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