
Zagreb, 05 mar 2020 (Lusa) — O secretário-geral da NATO apelou hoje à Europa para chegar a acordo com a Turquia, admitindo que há muitos desacordos sobre a SÃria, mas lembrando que Ancara foi importante na luta contra o grupo extremista Estado Islâmico.
“Existem diferenças e desacordos sobre como lidar com a situação na SÃria”, reconheceu Jens Stoltenberg numa entrevista à agência de notÃcias francesa AFP, sublinhando, no entanto, que a Turquia é “um importante aliado da Aliança” Atlântica.
“A Turquia desempenhou um papel importante na luta contra o ISIS [sigla em inglês do grupo extremista autodenominado Estado Islâmico]”, disse o responsável da NATO, que participou num encontro dos ministros da Defesa da União Europeia a decorrer em Zagreb.
“Precisamos encontrar soluções juntos”, sublinhou.
O mal-estar entre a Turquia e o ocidente começou com a ofensiva lançada pelo exército turco ao nordeste da SÃria sem qualquer consulta à NATO (Organização do Tratado do Atlântico Norte, por vezes chamada Aliança Atlântica).
No final do mês passado, as relações deterioraram-se ainda mais na sequência da decisão do Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, de abrir as suas fronteiras à passagem de migrantes e refugiados para a Europa e, nomeadamente, para a Grécia, como forma de forçar os paÃses europeus a “apoiar as soluções polÃticas e humanitárias turcas na SÃria”.
O chefe da diplomacia francesa, Jean-Yves le Drian, denunciou as “ambiguidades” da Turquia. “É necessária uma grande explicação dentro da Aliança”, disse ele, desejando que seja público.
Jean-Yves Le Drian pretende reivindicá-lo durante a reunião dos ministros das Relações Exteriores da NATO em 02 e 03 de abril em Bruxelas.
Os ministros dos Negócios Estrangeiros dos 21 paÃses da União Europeia que são membros da NATO vão reunir-se dos dias 02 e 03 de abril, em Bruxelas, sendo este um tema protagonista das conversações.
Na quarta-feira, a França defendeu que a NATO deve ter uma “conversa franca” com a Turquia para conhecer a posição deste aliado, num momento em que Ancara tem dado sinais ambÃguos, nomeadamente na relação com a Rússia.
“Estamos na mesma aliança (…). Acho que vamos precisar rapidamente de ter com a Turquia uma grande conversa, pesada, franca, pública para saber de que lado está um, de que lado está o outro e onde estão os nossos interesses comuns e dizer tudo. Caso contrário, não iremos sair disto”, admitiu o chefe da diplomacia francesa, Jean-Yves Le Drian, numa intervenção no Senado (câmara alta do parlamento).
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