
Praia, 02 mar 2020 (Lusa) – O Governo cabo-verdiano autorizou a compra urgente de equipamentos médicos por 38,1 milhões de escudos (345 mil euros), para que os estabelecimentos de saúde estejam preparados para lidar com eventuais casos do novo coronavÃrus.
A informação consta de um despacho do primeiro-ministro que entrou em vigor em 28 de fevereiro, consultado hoje pela Lusa, autorizando o Ministério da Saúde e da Segurança Social a realizar despesas com o contrato de “equipamentos de saúde”, através de ajuste direto, no âmbito do Plano de Emergência de Luta Contra a Epidemia de CoronavÃrus, aprovado pelo Governo.
“Torna-se necessário acautelar que os estabelecimentos de saúde tenham, urgentemente, todos os equipamentos indispensáveis para a prevenção e o tratamento da epidemia de coronavÃrus, porventura vier a verificar algum caso suspeito ou confirmado”, lê-se no despacho assinado por Ulisses Correia e Silva.
Em concreto, a autorização visa a compra de aparelhos ventiladores pulmonares, aparelhos de radiografia portátil, carro de emergência, camas e macas, termómetros, estetoscópios e monitores de sinais vitais, entre outras aquisições.
O documento recorda que, face as ligações aéreas que mantém com os paÃses mais afetados pelo surto de coronavÃrus, e tendo em conta tratar-se “de uma epidemia altamente transmissÃvel e sem tratamento antiviral especÃfico”, isso “aumenta o risco sanitário para uma eventual introdução desta doença no paÃs”.
A epidemia de Covid-19 provocada por um novo coronavÃrus, que teve origem na China, em dezembro de 2019, já infetou mais de 86 mil pessoas em 53 paÃses de cinco continentes, das quais morreram cerca de três mil.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou o surto de Covid-19 como uma emergência de saúde pública internacional e aumentou o risco para “muito elevado”.
“A ideia é retardar ao máximo possÃvel a chegada do coronavÃrus no paÃs”, afirmou, na sexta-feira, o primeiro-ministro, sobre o plano de emergência que foi ativado pelo Governo.
“Não é possÃvel fechar as fronteiras do mundo. Então, até que o controlo seja efetivo, temos de estar preparados, sem dramatizar e criar alarmes oportunistas para tirar proveitos de situações que atingem a globalidade do mundo”, acrescentou Ulisses Correia e Silva.
Preventivamente, o Governo cabo-verdiano já suspendeu, por um prazo de três semanas, até 20 de março, mas que pode ser prorrogado, todas as ligações aéreas de Itália, destino emissor de 30.000 turistas anuais para o arquipélago.
A Lusa noticiou anteriormente que o Governo cabo-verdiano mobilizou 700.000 euros para financiar um plano de emergência para lidar com o novo coronavÃrus, face à exposição a paÃses que enfrentam o surto, apesar de não ter ainda registado qualquer caso.
De acordo com a resolução do conselho de ministros 34/2020, publicada no dia 25 de fevereiro, o Governo cabo-verdiano autorizou a “transferência de verbas entre departamentos governamentais” no valor de 76.852.814 escudos (697 mil euros), para financiar o Plano Emergência de Luta Contra a Epidemia de CoronavÃrus.
Para o efeito, foram cortadas verbas nos vários ministérios, previstas no Orçamento do Estado para 2020, essencialmente nas rubricas de “deslocação e estadas” de membros do executivo, sendo atribuÃdas, ao abrigo deste plano de emergência, 13.124.814 escudos (119 mil euros) para despesas com pessoal médico, 25.575.000 escudos (233 mil euros) para aquisições de bens e serviços clÃnicos, e 38.153.000 escudos (345 mil euros) para compra de máquinas e equipamento clÃnico.
Na China estudam cerca de 350 cabo-verdianos, 15 dos quais estão em quarentena em Wuhan, epicentro do surto do novo coronavÃrus. Além disso, milhares de chineses trabalham e vivem atualmente no arquipélago de Cabo Verde.
O plano de emergência define a necessidade de, por “segurança sanitária do paÃs”, assegurar as “respostas eficazes” durante as várias etapas, que começou com a “preparação e estado de permanente alerta”, passando pela implementação da “capacidade de deteção precoce do vÃrus” e prosseguirá com “o confinamento imediato para evitar o risco de propagação”.
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