
Lisboa, 20 fev 2020 (Lusa) — A televisão foi o meio preferido dos portugueses para se informarem sobre a campanha eleitoral das legislativas de outubro e menos de 5% admitiu assistir a conteúdos polÃticos na Internet, revela um estudo hoje divulgado.
A televisão foi o meio de comunicação mais utilizado, com 28,6% dos inquiridos a admitir ter assistido “diariamente ou quase todos os dias” a conteúdos polÃticos televisivos, indica o “Estudo Eleitoral Português”, promovido pelo Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa.
Uma percentagem inferior, 14,5%, disse “assistir diariamente ou quase todos os dias” a estes conteúdos nos jornais, incluindo edições `online´ e apenas 5,6% recorreu à rádio “quase todos os dias ou diariamente”.
“Surpreendentemente”, afirmam os investigadores, no comunicado divulgado à imprensa, apenas “4,6% dos indivÃduos admitem assistir diariamente ou quase todos os dias a conteúdos polÃticos na Internet”.
Dos que recorreram à Internet para se informarem sobre a campanha eleitoral, a maioria, 67,1%, procurou páginas `online´ dos jornais, TV ou rádio e 28% recorreu à rede social Facebook.
Numa análise mais detalhada sobre o papel reduzido da Internet e das redes sociais durante a campanha, verificou-se que apesar de os partidos apostarem cada vez mais no `online´, apenas uma parte “muito residual dos indivÃduos reporta ter visitado as páginas das forças partidárias concorrentes, menos de 5%.
E, quando questionados sobre possÃveis medidas para conferir mais poder aos cidadãos para participarem nas tomadas de decisão polÃtica através das tecnologias, “quase metade admitiu que é indiferente”.
Quanto à possibilidade de darem opinião ou mesmo votar, através da Internet, sobre projetos ou propostas apresentados no parlamento , um terço considerou que são medidas positivas mas considerou que não são prioritárias.
Na globalidade, “o nÃvel de exposição a notÃcias sobre polÃtica durante a campanha eleitoral de 2019 foi média baixa (47,1%)”, refere o estudo.
Numa análise aos resultados verificados desde 2002, “não há grandes diferenças: a televisão continua a ser o meio de comunicação por excelência usado para os indivÃduos se informarem durante a campanha”, assinalam os autores.
O estudo, que foi hoje à tarde apresentado num seminário no Instituto de Ciências Sociais, baseia-se num inquérito que decorreu entre 12 de outubro e 19 de dezembro, coordenado por uma equipa do Instituto de Ciências Sociais liderada pela investigadora Marina Costa Lobo.
Numa análise por caracterÃsticas sociodemográficas, os inquiridos com maior nÃvel de escolaridade tiveram nÃveis de exposição mais altos a conteúdos polÃticos.
Quanto à idade, não se registaram grandes diferenças mas ainda assim houve uma prevalência da faixa etária entre os 35 e os 44 anos entre os que se informaram sobre a campanha polÃtica, disse a investigadora Sofia Serra da Silva, que conduziu este estudo. Por sexo, verificou-se que foram os homens os que mais procuraram aquele tipo de informação.
Na apresentação, Sofia Serra da Silva, que conduziu este estudo, considerou “surpreendente e até desolador” a “falta de impacto da internet” como fonte de informação dos cidadãos em perÃodo eleitoral, numa altura em que é a taxa de utilização da internet “é muito alta”.
Uma hipótese meramente interpretativa, avançou, poderá ser o facto de que o consumo de informação pela televisão é “um consumo passivo, ou porque a televisão está ligada, ou porque é hora do telejornal” enquanto a consulta da internet supõe uma atitude ativa, de procura.
É possÃvel que uma parte dos inquiridos tenha referido a televisão como meio predominante de informação sobre a campanha mas devido a “exposição acidental”.
Por seu lado, Marina Costa Lobo advertiu que apesar das respostas dos inquiridos — menos de 5% consultou a internet para se informar sobre polÃtica — a internet e em particular as redes sociais foram relevantes num primeiro momento, na construção da mensagem polÃtica que depois chega aos telejornais.
“A exposição à televisão é de um conteúdo que foi trabalhado nas redes sociais e nos jornais”, sublinhou a coordenadora do estudo eleitoral, assinalando ainda que não considera irrelevante o impacto que as campanhas feitas nas redes sociais tiveram em particular na votação de pequenos partidos que elegeram pela primeira vez, destacando o Livre e a Iniciativa Liberal.
O universo do estudo abrange cidadãos portugueses com idade igual ou superior a 18 anos, com capacidade eleitoral ativa e residentes em Portugal, selecionados com base na morada. No estudo, que visa traçar o retrato do eleitor português nas legislativas de 2019, foram inquiridas 1.500 pessoas sobre atitudes polÃticas, populismo, identificação partidária, perceções sobre o contexto económico e polÃtico e a Europa.
As eleições de 06 de outubro deram a vitória ao PS, que formou governo minoritário, com 36,3% dos votos e a eleição de 108 deputados. O PSD foi a segunda força polÃtica, obtendo 27,7% e 79 deputados.
O BE foi a terceira força mais votada, com 9,5% e elegeu 19 deputados, o PCP 6,3% e 12 deputados, o CDS-PP 4,% e cinco eleitos, e o PAN 3,3 e elegeu quatro parlamentares.
As legislativas de outubro ficaram marcadas pela entrada de três novas forças polÃticas no parlamento, que elegeram um deputado cada uma: o Livre, a Iniciativa Liberal e o Chega.
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